O Papa Leão XIV mostrou a sua preocupação pelas notícias que chegam sobre o aumento da violência na região do Sahel, especialmente no Chade e no Mali, atingidos por recentes ataques de grupos fundamentalistas.
“Apresento as minhas orações pelas vítimas e a minha solidariedade a todos aqueles que sofrem. Desejo que cesse toda a forma de violência e encorajo todos os esforços em prol da paz e do desenvolvimento naquela terra amada”, disse, após a oração do Regina Coeli neste domingo, citado pela Vatican News.
Já no sábado, dia 9, num encontro com a administração da Fundação João Paulo II para o Sahel, o Papa Leão XIV tinha afirmado que a necessidade de socorrer as “vítimas de uma calamidade natural ou pessoas vulneráveis” é por uma “questão de justiça, antes de ser de caridade”, mais ainda quando vivemos na urgência de um mundo que vive “desafios complexos”.
“Num mundo confrontado com desafios complexos, tais como tensões geopolíticas, desigualdades, guerras, problemas relacionados com a insegurança e o terrorismo, instabilidades políticas e económicas, crises climáticas — cujas consequências incluem, nomeadamente, os fluxos migratórios —, a relevância da missão desta Fundação parece mais clara do que nunca! Socorrer as vítimas de uma calamidade natural ou as pessoas vulneráveis é, de facto, uma questão de justiça antes de ser uma questão de caridade”, afirmou Leão XIV, citado pela agência Ecclesia.
A instituição da Igreja Católica foi criada em 1984, e dedica-se a combater a desertificação e a seca na região do Sahel, na África. Sediada em Uagadugu, Burkina Faso, estando focada em projetos de desenvolvimento agrícola, hídrico e ambiental, além da formação de técnicos locais.
Recentemente, o Papa Leão XIV aprovou os estatutos da fundação criada por São João Paulo II e entende que “a Fundação chegou a um ponto de viragem, caracterizado também por desafios externos ligados às crises económicas multidimensionais a nível internacional” , recorda a Ecclesia.
“À luz da subsidiariedade, a vossa colaboração sinodal com este Dicastério e com as outras instituições da Santa Sé contribua para o respeito e a promoção da dignidade humana inalienável das populações do Sahel, através de projetos de desenvolvimento humano integral”, pediu. “Os desafios são enormes, mas juntos avançamos num espírito sinodal, com um empenho renovado e sem perder a esperança”, convidou o Papa.
Num outro encontro, com representantes da comunidade muçulmana, Leão XIV, que esteve recentemente em África, onde visitou quatro países, lamentou os conflitos armados persistem, “gerando graves carências humanitárias e profundas desigualdades que afetam diariamente populações inteiras, sem esquecer o preocupante aumento do extremismo violento”.
“A isto juntam-se fluxos crescentes de migrantes e refugiados, discursos de ódio que envenenam o tecido social, a fragilização dos laços familiares e a erosão dos valores éticos e espirituais, particularmente entre os jovens”, lamentou.
Papa agradeceu acolhimento de navio de cruzeiro
Neste domingo, Leão XIV manifestou o seu agradecimento às autoridades e população das Canárias pelo acolhimento do navio de cruzeiro MV Hondius, no qual se registou um surto de hantavírus.
“Gostaria de agradecer a hospitalidade que carateriza o povo das Canárias, por permitir a chegada do cruzeiro Hondius com os doentes de hantavírus”, disse, em espanhol, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do Regina Coeli.
O navio entrou às 6h00 no porto de Granadilla de Abona e os passageiros foram desembarcando ao longo deste domingo, sendo encaminhados para o aeroporto, para se dirigirem para os seus países. A Organização Mundial de Saúde declarou no sábado que considera todas as pessoas a bordo do cruzeiro onde foi detetado um surto de hantavírus como “contactos de alto risco”, devendo ser submetidas a acompanhamento durante 42 dias.
Leão XVI vai estar no arquipélago entre 11 e 12 de junho, encerrando a sua primeira visita apostólica à Espanha.










