ONU denuncia

Violência sexual em conflitos aumenta 50 por cento

| 3 Mai 2024

© Unfpa ZambiaJadwiga Figula Relatório documenta como a violência sexual restringiu o acesso das mulheres aos meios de subsistência

Cerca de 95 por cento dos casos de violência sexual envolveram mulheres e meninas. Foto © Unfpa Zambia/Jadwiga Figula

 

Registou-se um “aumento dramático” de 50 por cento de casos de violência sexual em conflitos em 2023 em relação ao ano anterior, alertou Pramila Patten, representante especial do secretário-geral para a violência sexual em conflitos, ao apresentar o seu relatório anual sobre o tema, no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), na última semana.

A ONU verificou mais de 3,6 mil casos de violência sexual durante guerras em 2023. O relatório faz referência a ocorrências em 21 zonas de guerra, incluindo Israel, Gaza, Sudão, Ucrânia, Haiti, Mianmar e República Democrática do Congo. Cerca de 95 por cento dos casos envolveram mulheres e meninas. Em 32 por cento das situações, as vítimas foram crianças. Foram também registados 21 casos contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer e intersexuais.

Segundo Pramila Patten, a subida de casos é particularmente alarmante num contexto onde o acesso humanitário é restrito e limitado, sendo que o relatório não reflete a prevalência daquilo que é um crime “cronicamente subnotificado e historicamente oculto”. A especialista afirma que por cada sobrevivente que se expõe, “muitos outros são silenciados pelas pressões sociais, pelo estigma, pela insegurança, pela escassez de serviços e pelas perspetivas limitadas de justiça”.

Pramila Patten e a sua esquipa estiveram de visita a Israel e aos territórios palestinianos ocupados, e confirmaram que existem fundamentos ​​para acreditar que a violência sexual ocorreu em pelo menos três locais e foi cometida contra indivíduos mantidos como reféns, podendo estar ainda a ocorrer. Na Cisjordânia ocupada, a responsável visitou prisões israelitas, onde se encontram mulheres e homens palestinianos. Informações verificadas pela ONU, na sequência dos ataques de outubro cometidos pelo Hamas contra Israel, mostraram que houve casos continuados de maus-tratos, incluindo formas de violência sexual. Pramila Patten afirma que alegações semelhantes surgiram em Gaza.

O relatório mostra também como a violência sexual limitou o acesso de mulheres a formas de subsistência e o ingresso das meninas na setor da educação, num cenário global que envolve níveis recorde de deslocação de pessoas. Na apresentação do relatório, Pramila Patten fez também referência ao leste da República Democrática do Congo, país onde a insegurança física e alimentar levou muitas mulheres e meninas deslocadas à prostituição “por puro desespero económico”. Pramila Patten afirmou ainda que “a violência sexual perpetrada com impunidade continua a ser lucrativa na economia política da guerra”. No Haiti, por exemplo, os grupos armados continuam a gerar receitas e a utilizar a ameaça de violência sexual para extorquir resgates ainda mais elevados.

 

Texto redigido por Juliana Batista/revista Fátima Missionária, ao abrigo da parceria com o 7MARGENS.

 

Guerra e Paz: angústias e compromissos

Um ensaio

Guerra e Paz: angústias e compromissos novidade

Este é um escrito de um cristão angustiado e desorientado, e também com medo, porque acredita que uma guerra devastadora na Europa é de alta probabilidade. Quando se chega a este ponto, é porque a esperança é já pequena. Manda a consciência tentar fazer o possível por evitar a guerra e dar uma oportunidade à paz. — ensaio de Nuno Caiado

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This