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Grupo de vítimas de abusos parte em pereginação em bicicleta, de Munique até Roma, a 6 de maio de 2023. Foto . Foto © Arquidiocese de Munique e Freising.

Entre 6 e 17 de maio

Vítimas de abusos na Igreja pedalam de Munique a Roma para irem falar com o Papa

| 09/05/2023

Grupo de vítimas de abusos parte em pereginação em bicicleta, de Munique até Roma, a 6 de maio de 2023. Foto . Foto © Arquidiocese de Munique e Freising.

Ao fazer esta peregrinação até ao Vaticano, o grupo, cujo elemento mais velho acaba de cumprir 80 anos, quer “ajudar a garantir que as vítimas de abuso sejam reconhecidas, na Igreja ou em qualquer outro lugar na sociedade”. Foto © Arquidiocese de Munique e Freising.

 

É impossível ficar indiferente à passagem deles e quem sabe quem são e ao que vão aplaude-os e incentiva-os a continuar: cerca de 50 pessoas – das quais 15 foram vítimas de abusos sexuais no seio da Igreja Católica quando eram menores, e as restantes são familiares, amigos e conhecidos que apoiam a sua causa – partiram de bicicleta no sábado, 6 de maio, de Munique, e contam estar na Praça de Sâo Pedro, em Roma, no dia 17, para a audiência com o Papa. Farão 720 quilómetros e subirão 4.500 metros de altitude para irem perguntar a Francisco: “Quem cura os nossos corações?”.

Na bagagem, estes peregrinos levam uma carta e uma pequena escultura em forma de coração, que pretende ser símbolo dos seus corações e dos de todos aqueles que foram abusados. Richard Kick, uma das vítimas que é hoje porta-voz do Conselho Consultivo para Vítimas de Abusos de Munique e foi um dos mentores desta iniciativa, descreve assim o estado em que se encontra o seu próprio coração: “rasgado, destruído, pontiagudo, partido e transparente”, tal como o da escultura que levam com eles.

Mas a pequena escultura de 20 centímetros (inspirada numa maior, com cinco metros de altura, concebida pelo artista Michael Pendry) representa também o coração da própria Igreja, que tantas vezes esteve e está “gelado” ou foi e ainda é “de pedra”. Ao fazer esta peregrinação até ao Vaticano, o grupo, cujo elemento mais velho acaba de cumprir 80 anos, quer “ajudar a garantir que as vítimas de abuso sejam reconhecidas, na Igreja ou em qualquer outro lugar na sociedade”, explica Richard Kick, citado pelo site Katholisch.de.

 

Pereginação em bicicleta, de Munique até Roma, a 6 de maio de 2023, levando escultura de Michael Pendry (à direita) em forma de coração. Foto © Arquidiocese de Munique e Freising.

O grupo leva na bagagem uma pequena escultura, em forma de coração, concebida pelo artista Michael Pendry (na imagem à direita). Foto © Arquidiocese de Munique e Freising.

 

“Estamos a caminho. Igreja, estás connosco?” é o lema da peregrinação e a frase que este grupo alemão espera repetir várias vezes ao longo do trajeto, à medida que for parando em diversas igrejas para conversar com os respetivos responsáveis sobre o modo como estão a lidar com o tema dos abusos e a fazer para apoiar as vítimas e impedir que novos casos se repitam.

A iniciativa conta com o apoio financeiro e logístico da arquidiocese de Munique e Freising. “Estou impressionado com este projeto de peregrinação em bicicleta e tenho grande respeito por todos os envolvidos”, disse o vigário geral da arquidiocese, Christoph Klingan, ao despedir-se dos participantes no passado sábado. “Os afetados enfrentam o que lhes foi feito a eles e a muitos outros na Igreja. Estão muito empenhados em garantir que haja uma discussão mais aprofundada e trabalham, juntamente connosco, no desenvolvimento de processos de prevenção. Somos muito gratos às vítimas por este diálogo e intercâmbio”, concluiu.

As dez etapas da peregrinação, cada uma com cerca de 70km, podem ser acompanhadas através das redes sociais da iniciativa e os organizadores convidam todos aqueles que possam e queiram a juntar-se ao grupo durante uma parte do percurso.

No dia após a audiência com o Papa, antes do regresso a Munique, os peregrinos têm ainda previsto um encontro com o padre jesuíta Hans Zolner, que no passado mês de março se demitiu do cargo que ocupava há nove anos na Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores (CPPM) e tornou pública uma cerrada crítica ao modo de funcionamento daquele organismo do Vaticano.

 

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