Reunião "muito positiva" com associação

Vítimas de abusos vão acertar plano e critérios de indemnizações com a hierarquia da Igreja

| 14 Jan 2024

abusos sexuais na Igreja; ilustração © Catarina Soares Barbosa

Vítimas: chegou a vez de falar abertamente sobre vários temas? Ilustração © Catarina Soares Barbosa

 

A Associação Coração Silenciado, que representa vítimas de abusos na Igreja, espera poder avançar em conjunto com os bispos portugueses em temas como os canais de denúncia e a reparação do passado, em particular através de eventuais indemnizações.

No final de um encontro de três horas, em Fátima, este domingo, entre a presidência da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e representantes da associação, Cristina Amaral, da Coração Silenciado, falando aos jornalistas, considerou que se tratou de “uma reunião muito aberta, muito positiva”, que criou um “canal aberto” para o diálogo direto entre vítimas e a hierarquia da Igreja.

A responsável falou num momento de “esperança”, apontando para um trabalho em conjunto em temas como os canais de denúncia e a reparação do passado, em particular através de eventuais indemnizações.

Em declarações ao 7MARGENS, António Grosso, outros dos membros da associação presentes em Fátima, concretizou que ficou assente a vontade de manter um “canal de aberto” de diálogo com a CEP, nomeadamente “para acertar agulhas” sobre “o plano das indemnizações”, a que os bispos se referem como “reparações materiais”. Está na mesa a possibilidade de ser feito um “estudo aprofundado sobre o número de vítimas a indemnizar”.

A associação propôs que, fazendo esse estudo, a Igreja possa apresentar uma estimativa de quanto dinheiro tem para fazer as referidas reparações (“milhares ou milhões de euros”) e que possa avançar critérios para essas indemnizações. “As vítimas que quiserem reclamar a indemnização vão buscar o dinheiro, quem não quiser, não receberá.” Os representantes da associação sublinharam que é importante que “haja o anúncio” dos valores que a Igreja está disposta a indemnizar.

Outro tema em cima da mesa é o das prescrições dos crimes de abusos sexuais. A Associação Coração Silenciado defendeu que não haja qualquer limite temporal para eventuais denúncias, uma vez que “a dor e o trauma não prescrevem”, como também tem defendido o Papa Francisco, pelo que o crime também não deve prescrever. “É absurda a prescrição deste tipo de crimes”, sublinhou António Grosso.

Por sua vez, em nota enviada à Agência Ecclesia, os bispos portugueses assumiram este domingo o “compromisso de tudo” fazerem “para acolher e apoiar as vítimas de abusos e contribuir para a reparação das suas vidas”.

No final da reunião deste domingo, os bispos reafirmaram aquele compromisso: “O encontro decorreu em ambiente de acolhimento, escuta e diálogo, mantendo-se o nosso compromisso de tudo fazer para acolher e apoiar as vítimas de abusos e contribuir para a reparação das suas vidas, evitando que tais situações se voltem a repetir no seio da Igreja.”

O comunicado sublinha que o encontro decorreu “no seguimento do caminho que a Igreja em Portugal tem vindo a percorrer na proteção de menores e adultos vulneráveis”.

 

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