Modos de envelhecer (5)

“Vive-se sozinha rodeada de gente”

| 3 Mai 2024

Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.

O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos agora o quinto depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Houve há dias os anos de uma grande amiga minha e eu não fui porque não fui capaz de tratar do assunto. Achei que que não me deixavam ir  e não fui capaz de expor o meu problema…” Foto trabalhada a partir de Eberhard Grossgasteiger / Unsplash

Joana, 88 anos

 

Eu queria poder fazer tudo, mas não pode ser. Por isso é que tive de deixar a minha casa e vir para um Lar.

Sinto que este amparo dos lares é preciso. A minha filha, sozinha, não é capaz de tomar conta de mim. Ela tem o seu trabalho profissional, que é grande, e eu já estou sempre a precisar de algum apoio.

Nos grandes centros as pessoas vivem num prédio e cada uma toma conta da sua vida e cada uma tem os seus problemas. Não é possível apoiarem-se uns aos outos…

Vive-se sozinha rodeada de gente. Às vezes até parecem incomodados com a nossa presença, já   com algumas limitações.

Numa grande cidade não é possível uma pessoa ser apoiada. Num meio mais pequeno as pessoas conhecem-se melhor e a ajuda podia ser mais natural.

Os lares podem fazer por nós muita coisa: ajudar-nos a tratar dos nossos problemas e ajudar-nos a descansar, porque nas nossas idades o descanso é fundamental. Ao mesmo tempo precisamos de manter as nossas atividades para que o nosso corpo não fique tolhido. Todas as pessoas precisam de descanso e atividade e nem sempre nós conseguimos sozinhos este equilíbrio, mas também os lares não o conseguem.

É difícil a velhice…

Há coisas especiais que o Lar não pode dar. A gente é que tem de as encontrar e tratar lá fora.

A minha filha acha que eu não estou presa e que deviam confiar mais em mim para me deslocar ao exterior. Houve há dias os anos de uma grande amiga minha e eu não fui porque não fui capaz de tratar do assunto. Achei que que não me deixavam ir  e não fui capaz de expor o meu problema…

Sinto que ainda posso tratar de algumas coisas, mas não me deixam; não sei porquê. Há coisas minhas que gostava de lavar e não querem que eu lave. Vai tudo para a lavandaria,  mas eu poderia e sei lavar muitas coisas. No Lar devia haver essa liberdade.

Agora nem se pode ir à lavandaria. Tudo vai e vem em conjunto. Eu queria ir ver e trazer a minha roupa da lavandaria. Como se fosse a nossa casa…Não consigo perceber porque não me deixam fazer isso, mas também compreendo um pouco porque muitas pessoas já não têm cabeça para escolher e trazer a sua roupa.

Isto é tudo difícil!

Eu acho que ainda tenho orientação para ir a qualquer lado mas aqui acham que não, e não posso ir onde quero.

 

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Se há exemplo de ativismo religioso e cívico enquanto impulso permanente em prol da solidariedade, da dignidade humana e das boas causas é o de Maria João Sande Lemos (1938-2024), que há pouco nos deixou. Conheci-a, por razões familiares, antes de nos encontrarmos no então PPD, sempre com o mesmo espírito de entrega total. [Texto de Guilherme d’Oliveira Martins]

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Modos de envelhecer (19)

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