
Crianças à saída de uma missa, com Emanuel, um dos voluntários do grupo dos Leigos para o Desenvolvimento, na missão do Alto da Catumbela (Ganda, Benguela, Angola) – Foto © Leigos para o Desenvolvimento
A fundação católica Fé e Cooperação (FEC), diz que o voluntariado missionário “assumiu uma expressão ainda mais forte” no contexto da pandemia de covid-19 e, até Dezembro, continuará a haver voluntários a partir.
A conclusão surge a partir do inquérito anual realizado pela FEC junto das organizações que integram a Rede de Voluntariado Missionário. “São imensos os exemplos de readaptação e de resiliência vistos ao longo deste tempo que vivemos, e que se estenderá até ao final do presente ano”, diz Catarina António, coordenadora da Rede de Voluntariado Missionário.
Por essa razão, a FEC não quis divulgar apenas números, mas dá exemplos de “vidas que se transformaram para que ninguém ficasse para trás”, apesar da pandemia.
Num comunicado enviado ao 7MARGENS, a fundação diz que os voluntários que decidiram permanecer nos países de missão foram obrigados pela circunstância a reorganizar as suas dinâmicas quotidianas: “o encontro presencial teve de ser suspenso e o foco passou a ser o apoio às comunidades, não só no combate à covid-19 (produzindo e distribuindo máscaras, demonstrando cuidados básicos de higiene, etc.), mas também na ajuda directa às populações que enfrentaram ‘pandemias’ igualmente graves como a fome ou o combate armado”.
A FEC apresenta o exemplo do Centro Missionário Arquidiocesano de Braga (CMAB), cujos voluntários “se mantiveram no terreno, em Cabo Delgado, centro de conflitos armados, sem nunca ‘desarmar’ em esperança e em caridade. Os testemunhos de quem está no terreno dizem: “Ora há mais angústia, medo, incerteza,… não muito diferente ao de outras vidas e realidades; ora há mais confiança e esperança de alcançar o final desta estranha forma de estar… que ainda assim não retira o entusiasmo deste ser Missão”.
Os jovens do Voluntariado Espiritano em Cabo Verde, e o Grupo Missionário Ondjoyetu, da diocese de Leiria-Fátima, em Angola, além de um voluntário dos Leigos Missionários Combonianos na Etiópia falam de “criar alternativas e estratégias para lidar com a realidade que a pandemia da covid-19 nos traz, pondo-nos à prova enquanto cidadãos e desafiando-nos a ter reflexões mais profundas”.
Apesar da pandemia, há ainda voluntários que continuam a partir em missões de curta ou de longa duração: Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe são os destinos principais. No caso das missões de longa duração, o trabalho desenvolve-se sobretudo em áreas como a educação e formação, saúde, animação sociocultural, agricultura, construção de infraestruturas, dinamização e organização comunitária, empreendedorismo e empregabilidade, e capacitação de agentes locais. Sempre trabalhando com jovens, crianças, famílias, idosos, mulheres ou técnicos de associações locais, entre outros grupos específicos.
No caso de voluntários que tiveram de regressar a Portugal, muito acabaram por se envolver em acções de apoio a pessoas sem-abrigo ou visitas a centros sociais, por exemplo (caso da Procura – Missões Claretianas), apoio alimentar de emergência (CMAB), distribuição de cabazes a famílias desfavorecidas ou afectadas pela pandemia (Leigos Para o Desenvolvimento).
Outras organizações desenvolveram projectos concretos para apoiar as pessoas mais atingidas pela pandemia: é o caso da União das Misericórdias Portuguesas, que tem apoiado várias instituições; da Associação Equipa d’África, que promoveu uma angariação de fundos para entregar cabazes alimentares; ou dos Irmãos Maristas, que investiram em projectos de apoio a crianças em risco.
Desde 1998, quando a experiência do voluntariado missionário começou a ser enquadrada através de grupos ou movimentos, as 61 organizações que integram a rede da FEC já contabilizaram 3000 jovens mobilizados sobretudo para projectos nos países lusófonos (África, Brasil e Timor-Leste.









