Xexão (um poema e uma evocação em Lisboa)

| 24 Abr 21

Maria da Conceição Moita, Xexão. Foto: Direitos reservados

 

À memória de Maria da Conceição Moita

Partiste
Estamos tristes
Já não podemos sentir
O teu sorriso inteiro e solidário
Já não podemos descansar
À sombra da paz do teu olhar

Mas sabemos
Que já falaste
De cada um de nós
A Deus

Contigo nos fizemos
Ao subir à montanha para respirar
O infinito
Ao descer aos vales para nos inebriarmos
Da frescura das manhãs
E colher as tais flores silvestres
Que não tecem nem fiam
Com que a tua alma se embelezava

Lembramo-nos de estar contigo
À tardinha junto ao mar
Na apoteose da fogueira do sol poente
A celebrar a alegria
Do dia que se cumprira
E a renovar a esperança
Dos novos céus e da nova terra

Mulher
Da palavra corajosa e definitiva
Que enfrentava a ameaça dos dragões
E os uivos das hienas
Da palavra contaminadora e mágica
Que transformava
A luta em festa

Mulher
Do sorriso terno e sereno
Em permanente dádiva
Solidária e fraternal
Incendiária
Da paz e da justiça
Da alegria de viver
Da simplicidade de estar…

Mulher
Das bem-aventuranças…

Vi-te pela última vez já do outro lado
Senti o que me disseste.
“Fiz o que tinha a fazer e fui feliz
Faz tu agora o que me faltou
E serás feliz também
De lá procurarei ajudar-te.”

 

José Augusto Pereira Neto

 

Celebração na Capela do Rato

 

No 30º dia após o falecimento de Maria da Conceição Moita, a comunidade da Capela do Rato, em Lisboa, vai celebrar, a 30 de Abril, às 19h, eucaristia evocando a sua vida. Tendo em conta as regras de segurança em vigor, e o número restrito de lugares na capela, é necessária uma inscrição prévia, que deve ser feita na página digital da Capela do Rato.

Na mesma página digital, ou através da rede Facebook, pode também seguir-se a transmissão da celebração.

Maria da Conceição Moita deu a voz aos organizadores da vigília de oração e jejum pela paz, na passagem de ano de 1972 para 1973, em protesto contra a guerra colonial. A iniciativa marcou a resistência católica ao regime ditatorial do Estado Novo.

 

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Comentário

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