A guerra e a paz na Ucrânia

Zelensky reforça apoio de Itália e dialoga com o Papa

| 13 Mai 2023

Papa Francisco recebe Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia (Vatican Media)

Papa Francisco recebe Volodymyr Zelensky presidente da Ucrania Foto © Vaticano Media

 

De uma assentada, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, reuniu este sábado, 13, em Roma, com dois chefes de Estado – Sergio Mattarella, da Itália, e o Papa Francisco, do Vaticano – a com a chefe de Governo italiano Georgia Meloni. O tema foi inevitavelmente um: a guerra na Ucrânia e os caminhos para a paz.

Zelensky aterrou logo ao princípio da manhã num aeroporto militar de Roma, no meio de medidas de segurança que incluíram a imposição de uma zona temporária de exclusão aérea. Pouco antes de o presidente chegar, o Vaticano confirmou o que já se aventava desde o dia anterior: que haveria um encontro com Francisco.

O presidente Matarella foi o primeiro a dar as boas-vindas ao visitante. Ainda que a reunião tenha sido à porta fechada, pouco depois circulavam já nos media os assuntos tratados. O presidente italiano reafirmou “total apoio da Itália à Ucrânia em termos de ajuda militar, financeira, humanitária e de reconstrução, a curto e longo prazo” e reconhecimento de que “não estão em jogo apenas a independência e a integridade territorial da Ucrânia”, mas também “a liberdade dos povos e a ordem internacional”. Em revista foram passados temas como a questão da central nuclear de Zaporizhia, bombardeamento de estruturas civis e o sequestro de crianças ucranianas (definido por Mattarella como “uma prática desoladora e ignóbil”). Mas também a reconstrução da Ucrânia, os crimes de guerra e a candidatura do país a entrar na União Europeia.

Zelensk terá afirmado, em resposta: “Somos pela paz, a nossa vitória é a paz. Estamos abertos a todas as contribuições internacionais, mas estamos a sofrer a guerra no nosso território e a paz deve garantir a justiça em todo o nosso território”.

“A paz, pela qual todos trabalhamos, deve restaurar a justiça e o direito internacional. Deve ser uma verdadeira paz e não uma rendição”, reconheceu, por sua vez, Matarella.

No encontro com a primeira-ministra italiana foi assegurado o mesmo apoio incondicional, na base do reconhecimento do princípio da soberania nacional, perfilhado pelos Irmãos da Italia, o partido da extrema-direita de Meloni. Os dois parceiros da coligação que sustenta o governo, liderados, respetivamente, por Berlusconi e por Matteo Salvini, são reconhecidamente admiradores de Vladimir Putin e mantêm um distanciamento crítico da política governamental, neste dossiê.

A Itália contribuiu com cerca de mil milhões de euros para a ajuda militar e humanitária e Zelensky não escondeu a importância que tal apoio, bem como a sua continuidade no futuro, tem para o seu país.

O encontro entre o Papa e o presidente da Ucrânia, que durou cerca de 40 minutos, teve como centro da conversação a “situação humanitária e política causada pela guerra em curso”, segundo um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

“Ambos concordaram com a necessidade de continuar os esforços humanitários para apoiar a população”, refere a nota que acrescenta: “O Papa sublinhou, em particular, a urgência de ‘gestos humanos’ para com as pessoas mais frágeis, vítimas inocentes do conflito”.

No final, e antes de um encontro da delegação ucraniana com o secretário para as Relações com os Estados, o bispo Paul Gallagher, houve uma troca de presentes: Francisco deu ao presidente Zelensky uma pequena escultura representando um ramo de oliveira, símbolo da paz. Por sua vez, Zelensky ofereceu ao Papa um ícone de Nossa Senhora, pintado nos restos de um colete à prova de bala.

 

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