AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

O padre jesuíta Hans Zollner, responsável da Protecção de Crianças no Vaticano, no colóquio organizado pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais Contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, 10 de Maio 2022. Foto © Ecclesia/HM

Vaticano

Zollner demite-se e põe em xeque Comissão para a Proteção de Menores

| 29/03/2023

O padre jesuíta Hans Zollner, responsável da Protecção de Crianças no Vaticano, no colóquio organizado pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais Contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, 10 de Maio 2022. Foto © Ecclesia/HM

O padre jesuíta Hans Zollner, ao participar no colóquio organizado pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais Contra as Crianças na Igreja Católica em Portugal, em Lisboa, em 10 de Maio 2022. Foto © Ecclesia/HM

 

O homem que nos últimos anos era o rosto visível da luta do Vaticano contra os abusos sexuais no interior da Igreja Católica, o padre jesuíta Hans Zolner, demitiu-se do cargo que ocupava há nove anos na Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores (CPPM) e tornou pública uma cerrada crítica ao modo de funcionamento daquele organismo do Vaticano.

Tido como um dos principais aliados do Papa Francisco na denúncia dos abusos sexuais e na condenação dos abusadores, o alemão Hans Zollner escreve num comunicado datado desta quarta-feira, 29 de março, que “nos últimos anos” foi ficando “cada vez mais preocupado com o modo como a comissão procurou alcançar” o objetivo de “proteger as crianças e as pessoas mais vulneráveis”, preocupações que incidiam “particularmente nas áreas da responsabilidade, no cumprimento das normas, na prestação de contas e na transparência” dos procedimentos e decisões.

Nos organismos que formam a cúpula do Vaticano é muito raro um pedido de demissão ser divulgado pelo próprio. Ainda mais raro que o seja através de um comunicado público com críticas contundentes ao organismo em causa. O comunicado assinado pelo padre Zollner é, deste modo, muitíssimo insólito e espelha um profundo desagrado com o funcionamento da Comissão que não pode ser apenas seu, mas se advinha partilhado por outros altos funcionários vaticanos.

Referindo-se “a problemas que têm de ser abordados urgentemente” e que justificam o seu pedido de demissão, Zollner denuncia três faltas principais: a falta “de clareza relativamente ao processo de seleção de membros e de funcionários e aos seus respetivos papéis e responsabilidades”; a falta de “transparência no modo como as decisões são tomadas”; e a falta de clareza sobre “como é que os fundos são usados no trabalho [da Comissão]”. A estas questões, o padre jesuíta junta o facto de ainda não terem sido divulgadas “quaisquer regulamentações que orientem a relação entre a Comissão e o Dicastério para a Doutrina da Fé, desde que a Comissão foi colocada dentro do Dicastério no último mês de junho”. “A proteção das crianças e das pessoas vulneráveis tem de estar no coração da missão da Igreja Católica”, acrescenta.

Num comunicado posterior, mas difundido neste mesmo dia 29 de março, o presidente da CPPM, o cardeal americano Sean O’Malley, trata o pedido de demissão de Zollner como estando ligado à sua recente nomeação como consultor da Diocese de Roma e tece os elogios da praxe ao trabalho por ele desenvolvido na Comissão.

As críticas ao mau funcionamento da CPPM e à sua recente submissão ao Dicastério para a Doutrina da Fé, tem vindo em crescendo nos últimos meses. Em novembro, recorda o National Catholic Reporter também nesta quarta-feira, a irmã franciscana Jane Bertelsen, que pertenceu à Comissão, escreveu no jornal britânico The Tablet que “um estilo de trabalho colaborativo e sinodal deixou de estar presente durante os últimos meses”. No dia 28 desse mesmo mês de novembro, a baronesa Sheila Hollins, membro fundador da CPPM, mostrou-se, numa conferência proferida perto de Londres, muito cética quanto à capacidade da Comissão conseguir realizar uma auditoria de qualidade aos 114 relatórios sobre o estado da proteção de menores nos seus países enviados pelas conferências episcopais de todo o mundo.

Mas também o próprio Zollner foi alvo de crítica, agora relembradas pelo jornal Silere non possam, que o acusa de não ter agido correta e expeditamente no caso das denúncias contra o jesuíta Rupnik [ver 7MARGENS].

Além de colocada, em junho de 2022, sob tutela do Dicastério para a Doutrina da Fé, a CPPM foi também profundamente renovada em setembro de 2022 com 10 novos peritos e a saída de igual número de membros.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência

Esta terça-feira, 7 outubro

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidade

A Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur

[Entre Margens]

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur novidade

Não sei se a carta de «calorosas felicitações» do Secretário-Geral da ONU ao Presidente do Irão, por ocasião da celebração do bonito Dia Nacional da Revolução Islâmica compara bem com a sua tentativa de contextualização histórica do ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Mas recorda-me um título e um autor. [Texto de João Santos].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This