
Foto © NIAID-RML/Wikimedia Commons
E agora, o que fazer? A pergunta estará na cabeça de muitas pessoas, quando Portugal e a Europa vivem o que se convencionou chamar a segunda vaga de covid-19 que, nesta segunda-feira, atingiu no país máximos de novos casos (4096) e de vítimas mortais (63). Há 121 concelhos na lista de maior risco, obrigados a regras mais severas de novo confinamento. E o que fazer, se a doença chegar à escola, à paróquia, à residência de idosos, ao ATL?…
Dar prioridade à saúde das pessoas, tomar a iniciativa da comunicação, pensar em quem precisa da informação e dizer só a verdade são os primeiros passos de um pequeno guia elaborado por três assessores de comunicação e destinado a instituições como as referidas.
“Achámos que fazia falta uma ajuda prática para saber comunicar se surgir um caso de covid, numa altura em que as emoções podem ser muitas e é necessário comunicar com rapidez”, diz Pedro Gil, do gabinete de comunicação da Opus Dei, ao 7MARGENS. “Não comunicar bem e depressa pode ferir e desiludir; comunicar bem pode dar esperança”, acrescenta.
Os outros dois autores do guia são Rita Carvalho, do gabinete de comunicação da Companhia de Jesus, e José Aguiar, da ALL Comunicação.
Em 15 pontos (nove “faça” e seis “não faça”), o primeiro passo sugerido é seguir as orientações da Direcção Geral da Saúde, da Linha Saúde 24 (808 24 24 24) ou do delegado de saúde. Só depois é que se deve comunicar o caso. “Se a informação que der for verdadeira e serena, é em si que vão confiar”, mesmo se as notícias não são positivas, recomenda o guia.
A informação deve ser dada a quem dela precisa: utentes, familiares, autoridades, e também fornecedores, clientes, instituições do mesmo sector ou serviço e vizinhos. Do mesmo modo, pode ser enviada através de meios electrónicos, mas também se deve lembrar que nem toda a gente usa essas formas e não pode ser excluída.
Dizer só a verdade e ser o mais objectivo possível sobre os factos, procurando preservar a privacidade é outra das sugestões. “Diga o que fez, o que devia ter feito, o que pensa fazer. Não tenha medo de errar e de reconhecer o erro.”
Acompanhar a situação e actualizar informações e ser “sensível ao sofrimento das pessoas” são outros dois passos. “As pessoas infectadas sentem-se doentes, os familiares e amigos sofrem com a doença dos outros. (…) Todo esse sofrimento merece respeito.”
No capítulo do que se deve fazer, há mais duas sugestões: “Dentro do possível ofereça serenidade”, importante para fazer passar bem a mensagem. E, finalmente, deve alimentar-se “uma sóbria proximidade se o distanciamento for imperioso: o isolamento e, pior, a solidão, podem ser a mais pesada das pobrezas”. Havendo necessidade de suspender o funcionamento da instituição, deve cuidar-se de “manter a relação”.
No capítulo do que não se deve fazer, várias sugestões são opostas a recomendações anteriores: não ficar calado, evitando rumores e especulações; não atribuir culpas a ninguém e, se isso for mesmo necessário, fazê-lo de forma a salvaguardar a integridade da pessoa visada; e não se desculpar a si mesmo, centrando-se na saúde e na tranquilização das pessoas.
O guia recomenda ainda que não se tenha pressa e que não se encaminhe informação não confirmada, “por mais relevante que possa parecer” porque “nem toda a informação que circula é fidedigna, factual ou confiável” e “pode contribuir para alimentar um ciclo de engano e desinformação”.
“Mais importante do que reagir é antecipar, definindo procedimentos de comunicação, meios a utilizar e porta-vozes. Antes que chegue a crise”, conclui o documento.










