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Macomia, Cabo Delgado, Moçambique.

Comissão Justiça e Paz apela ao Governo português em favor de Cabo Delgado, de novo debatido no Parlamento Europeu

| 04/12/2020

Macomia, Cabo Delgado, Moçambique.

Macomia (Cabo Delgado), Moçambique. A destruição depois de um ataque terrorista no final de Maio. Foto: direitos reservados

 

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), organismo da Igreja Católica que tem como missão intervir sobre questões sociais e políticas, juntou-se nesta quinta-feira, 3 de Dezembro, “a todos os que têm alertado para a dramática situação que vive hoje o povo de Cabo Delgado”, no Norte de Moçambique, onde uma sucessão de ataques provocou já mais de duas mil vítimas mortais e cerca de 500 mil deslocados, além da destruição de numerosas localidades, escolas e infraestruturas.

A Comissão apela por isso aos governos de Moçambique e de Portugal, à União Europeia e às Nações Unidas” no sentido de encontrar “as formas mais adequadas de defesa das populações vítimas” dos ataques que se têm verificado na região.

O apelo dirige-se “também a todos os portugueses e portuguesas: que, na medida das suas possibilidades, contribuam para a urgente ajuda humanitária em favor dessas populações”. A CNJP recorda as campanhas já organizadas pela Cáritas Portuguesa e pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

“Não se ignora que os ataques se fazem em nome do auto-proclamado Estado Islâmico”, diz a Comissão. “Entre as vítimas, estão cristãos, mas também muçulmanos. Estes considerar-se-ão profundamente ofendidos pela instrumentalização da sua fé como pretexto para tais ataques. Não está em causa a divisão entre cristãos e muçulmanos, mas entre uma ideologia bárbara e mortífera e o povo inocente e pacífico.”

A CNJP critica ainda a pouca atenção que o problema merece, se comparado com outras realidades: “Será pela distância (geográfica, mas não apenas) que nos separa de África. O que é notório é que um drama desta amplitude não tem recebido a atenção que lhe é devida. Assistimos a muitas e fortes reações de indignação sempre que atentados terroristas atingem a Europa. Os atentados que hoje atingem esta região do Norte de Moçambique são de uma gravidade extrema, equivalente à dos atentados terroristas que têm atingido a Europa multiplicada por cem ou por mil. Mas não têm recebido uma atenção sequer comparável a estes.”

O comunicado recorda ainda as consequências do que tem acontecido: além das vítimas mortais, há cerca de 500 mil deslocados, forçados pela circunstância a deixar as suas casas para escapar à morte, destruição sistemática de habitações e estruturas missionárias de apoio à população, além de descrições de “atrocidades das mais chocantes”.

Segundo a CNJP, também não se podem “fechar os olhos ao facto de a região de Cabo Delgado ser rica em gás natural e pedras preciosas, o que a torna alvo de uma cobiça que despreza do direito do povo moçambicano a beneficiar desses recursos”.

“Que o grito do povo de Cabo Delgado seja ouvido e não se depare com a indiferença!”, conclui a Comissão.

Também nesta quinta-feira, os ataques terroristas em Cabo Delgado foram o tema principal da reunião da Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu (PE). A reunião extraordinária foi agendada na passada sexta-feira, dia 27 de Novembro, noticiou a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, citando uma nota publicada na própria página da Comissão, segundo a qual o debate serviria para “troca de pontos de vista sobre a situação em Moçambique”.

Em Setembro, como o 7MARGENS noticiou, o tema já tinha sido objecto de debate no PE, quando vários eurodeputados portugueses exortaram a União Europeia a não ignorar a situação que se vive na região.

 

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