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Andy Burnham. Reino Unido
Andy Burnham, futuro primeiro-ministro do Reino Unido. Foto © University of Liverpool

Reino Unido

Novo primeiro-ministro será “o primeiro católico” a chefiar o Governo, desde o século XVI

| 19/07/2026

 

Se não houver imprevistos, o político trabalhista inglês Andy Burnham, tido como “rei do Norte”, deverá ser designado pelo rei Carlos III novo primeiro-ministro do Reino Unido, na sequência da demissão do seu colega de partido, Keir Starmer, que deverá ser apresentada formalmente na manhã desta segunda-feira, 20.

Não se trata propriamente de um desconhecido, tanto no plano partidário como nacional. Burnham exerceu já funções ministeriais com diferentes pastas em mais de um governo e foi deputado na Câmara dos Comuns, lugar a que voltou já este ano. Mais recentemente, a partir de 2017, foi eleito presidente da Câmara de Manchester, tendo, no exercício dessas funções, adquirido visibilidade nacional, em especial no modo como se posicionou face ao Governo central de Boris Johnson, durante a pandemia da covid-19. Pelo papel que então desempenhou, chamaram-lhe “o rei do Norte” do país.

Os observadores da cena política britânica, que têm comentado a trajetória deste novo líder trabalhista, sublinham um aspeto que não deixa de ter significado naquele país: apesar de se descrever a si mesmo como “não particularmente religioso”, Andy Burnham reconhece ter sido marcado pelo catolicismo e, em especial, pela Doutrina Social católica.

Isso leva alguns a comentar que será a primeira vez, desde há mais de quatrocentos anos, que, num país que tem o anglicanismo como religião oficial, o Governo será chefiado por um católico. A conceituada revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, não hesita mesmo em titular uma peça sobre o futuro PM deste modo taxativo: “Conheça o primeiro primeiro-ministro católico da Grã-Bretanha em 500 anos”.

A afirmação decorre do facto de, desde meados do século XVI, quando a rainha Maria I tentou aniquilar a Reforma protestante desencadeada por Henrique VIII, seu pai, nenhum católico ter liderado o país.

Andy Burnham é originário de Liverpool, cidade para onde emigraram centenas de milhares de irlandeses. Filho de pais católicos, também ele foi educado em colégios católicos e foi acólito na sua paróquia em criança. Em jovem foi colaborador e grande admirador do arcebispo de Liverpool de então, Derek Worlock, que tinha participado no Concílio Vaticano II e que defendeu os mineiros e a população contra as políticas consideradas desumanas da então primeira-ministra, Margaret Tatcher. Cresceu nesse ambiente e com essas referências, tendo mesmo colocado os filhos a estudar em escolas católicas, “devido aos valores e às bases” que dão.

Não sendo um praticante frequente da missa dominical, não é menos certo de que, ao regressar ao Parlamento, em junho último, prestou juramento sobre a Bíblia de Jerusalém, a tradução comummente usada pelos deputados católicos.

Alegando existir uma “obsessão da Igreja Católica” com a sexualidade, Burnham dizia, em declarações citadas pelo site Christian News, em 2015, que a abordagem a questões como direitos gays e contraceção o deixou desiludido com a sua Igreja.

Chegou a instar o Papa Francisco a “trazer a Igreja para o século XXI” em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Não sendo conhecido ainda o essencial das suas políticas nem a constituição do seu Governo, há já setores do seu partido e organizações da sociedade civil a dizerem o que não deve fazer e o que seria bom que fizesse. Exemplo disso é a carta aberta que lhe dirigiu uma coligação de 17 organizações humanitárias, de desenvolvimento, de direitos humanos, ambientais e religiosas do país, pedindo que ele tome medidas urgentes para proteger os palestinianos que “enfrentam uma ameaça existencial de apagamento” e a garantir que o Reino Unido cumpra as suas obrigações legais e morais.

A carta aberta afirma que Israel aprofundou o seu controlo sobre a vida e as terras palestinianas nos Territórios Palestinianos Ocupados, expandindo colonatos e bloqueando a ajuda, “levando a uma situação humanitária catastrófica”. Refere ainda que o Reino Unido não respondeu adequadamente à situação e pedem ao novo Governo que adote uma abordagem diferente, proibindo o comércio ligado a assentamentos ilegais, suspendendo concessões comerciais sob o Acordo de Comércio e Parceria Reino Unido-Israel e todas as vendas e transferências de armas para Israel até que a lei internacional seja respeitada.

 

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