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Cécile Renouard, Casa Comum, Ecologia

Cécile Renouard

A religiosa que silenciosamente iniciou uma revolução ecológica

| 19/08/2021

Cécile Renouard, Casa comum, ecologia

Cécile Renouard, freira francesa, religiosa da Assunção, fundadora do Campus da Trasição. Foto © Nyspelache/ Wikimedia Commons

 

Cécile Renouard é uma religiosa da Assunção que há muito faz das preocupações ambientais o seu modo de vida e de fé. O Papa Francisco e o patriarca ortodoxo Bartolomeu I de Constantinopla ajudaram a fazer das preocupações ecológicas – ou do “cuidado com a criação”, como eles diriam – questões mais centrais para os cristãos em todo o mundo. Mas muitos homens e as comunidades religiosas femininas há muito tempo são as pioneiras na luta pela justiça ecológica, proteção ambiental e um uso mais responsável dos recursos da terra.

A irmã Cécile Renouard, nascida em 1968 em Paris, ingressou na sua congregação religiosa em 1991 e obteve um doutoramento em filosofia política, com especialização em ética social. Publicou já várias obras nomeadamente sobre ética das empresas, área a que tem dedicado a sua investigação, além de ensinar em várias escolas, entre as quais o Centro Sèvres, a faculdade de teologia dos jesuítas em Paris, e o Sciences Po, Instituto de Ciências Políticas.

Em 2017, na sequência dos seus trabalhos e parcerias com empresas, organizações não-governamentais e agências de desenvolvimento, fundou o chamado Campus da Transição, que pretende ajudar as pessoas a encontrar maneiras mais sustentáveis de viver e interagir.

Em entrevista à edição internacional do jornal La Croix, Cécile Renouard explicou que pretendeu “criar uma estrutura mais leve e flexível que as grandes escolas, universidades e grandes empresas”. E justificou: “Essas instituições têm dificuldade em mexer-se, enquanto o Campus é um lugar para experimentar a transição ecológica e formar jovens que não estão desligados da realidade do terreno.”

Para o efeito, a congregação religiosa da irmã Cécile disponibilizou uma propriedade em Forge para desenvolver o projeto. “Mas o Campus não é confessional”, avisa. “Recebemos alunos de todas as convicções religiosas ou espirituais e esforçamo-nos por estabelecer parcerias com várias instituições públicas, especialmente universidades.”

Os verbos aprender e fazer conjugam-se na mesma frase, e na mesma ideia: “Aprendemos fazendo, como a trabalhar na reforma ecológica de prédios antigos. No primeiro inverno, o meu quarto estava a 15°C! Desde então, os alunos fizeram alguns trabalhos de isolamento, obtivemos financiamento para trocar janelas, etc.. E as coisas estão a melhorar gradualmente”, exemplifica.

Para a religiosa, “os aspetos ecológicos devem ser articulados com os seus aspetos sociais”. Com as comunidades próximas estamos a discutir o desenvolvimento de boleias (partilha de veículos), bicicletas elétricas, etc. Também estamos a iniciar um projeto de baixa tecnologia e baixa tecnologia carbónica para serem implantadas no Campus. As pessoas que vêm aqui experimentam um estilo de vida mais ecológico, mas que não é castigador.”

 

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