Foi por causa do presépio do último Natal que esta ideia nasceu: o globo seria a “gruta” que iria acolher a cena da Natividade; depois, o globo foi colocado no centro da igreja. O presépio no centro do mundo, a noção do nascimento como centro do mundo e das vidas de todas as pessoas. O globo é a nossa casa comum e foi isso que a paróquia de Valongo do Vouga (Águeda, diocese de Aveiro) quis marcar com essa proposta. A par dela, veio uma reflexão animada por Manuel José Marques, que fez o curso de animador Laudato Si’, do Movimento com o mesmo nome da encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado da casa comum. A experiência foi retomada na última Quaresma. São essas reflexões que o 7MARGENS publica a propósito e durante a Semana Laudato Si’, que se inicia neste domingo, 21.

O globo foi a “gruta” que acolheu a cena da Natividade; depois, o globo foi colocado no centro da igreja. O presépio no centro do mundo. Foto retirada do Facebook da Paróquia de S. Pedro de Valongo do Vouga (Águeda).
No último domingo [do Advento], durante a Eucaristia, ouvimos falar de sinais e de símbolos, da sua existência, das suas diferentes manifestações, da mensagem que trazem, e da importância que lhes damos na nossa orientação de vida.
Com o mesmo sentido, colocámos o nosso presépio, representação e símbolo de Natal, no centro da Terra, no centro do mundo, no centro da vida. Entendemos e sentimos convictamente ser este o seu verdadeiro local.
Também, no centro e no alto, colocámos o nosso planeta Terra, a nossa casa comum, criação de Deus.
Poderosas, majestosas e maravilhosas orientações. Assim, o nosso presépio é também um convite para o vir olhar, observar, relaxar, reflectir o que for preciso, e eventualmente, as procurar interiorizar.
Tal como proposto na carta Laudato Si’ que o Papa Francisco escreveu para todos, e que a nós também serviu de inspiração e nos serve de guia: “Educar para a aliança entre a humanidade e o ambiente, em que este é um bem colectivo, património de toda a humanidade e responsabilidade de todos.”
Entender que o planeta é só um. Que é também dos animais e das plantas, nossos companheiros. Entender que o devemos habitar como convidados, respeitando-o e não estragando. No entanto, tem-nos sido dado a perceber desde há algum tempo que não tem sido assim, sendo muitos os sinais e sendo muitos os que sofrem, pelo que este local que habitamos precisa da nossa atenção e protecção. Não é uma moda, não. É mesmo uma necessidade, urgente e imprescindível. Há comportamentos a alterar, pois podemos não estar a fazer o mais correcto. Mas, por muito pequenos que sejam os gestos ou acções que cada um faça na sua vida, estarão repletos de uma enorme importância.
Efectivamente, é referido também na mesma carta: “Quando somos capazes de superar o individualismo, pode-se realmente desenvolver um estilo de vida alternativo e torna-se possível uma mudança relevante na sociedade.”
Assim, devemos, queremos, e vamos garantir o futuro para que possa haver Natal para todos, bem no centro e no alto, todos os dias. Pois tudo está interligado.
Manuel José Marques é animador de encontros sobre a encíclica Laudato Si’ na paróquia de Valongo do Vouga (Águeda).










