
Após bombardeamento num bairro residencial em Gaza, os locais observam os escombros. Um cessar-fogo serviria “para que especialmente o povo de Gaza veja no fim do túnel um vislumbre de esperança”. Foto © WHO
Com o aproximar do Ramadão (tempo sagrado para os muçulmanos, que este ano se inicia a 11 de março) e da Páscoa cristã (que será celebrada no final do próximo mês), o embaixador palestiniano junto da Santa Sé, Issa Kassissieh, fez esta semana um apelo para que se chegue a um acordo de cessar-fogo antes dos dias mais importantes nos calendários muçulmano e cristão, sublinhando a necessidade de assistência humanitária imediata.
“Há uma crise real em Gaza no que diz respeito à fome e (não há) alimentos, nem água, nem medicamentos, nem hospitais, nem escolas… as crianças, as mães e os idosos são aqueles que pagam o preço mais caro”, afirmou ao jornal Crux, após ter reunido esta segunda-feira, 26 de fevereiro, com o arcebispo britânico Paul Gallagher, secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, para discutir a guerra em curso em Gaza
Quanto ao cessar-fogo, – cuja possibilidade chegou a ser avançada pelo presidente norte-americano Joe Biden já para 5 de março, mas entretanto foi desmentida – serviria “para que especialmente o povo de Gaza veja no fim do túnel um vislumbre de esperança, se houver qualquer esperança”, disse o diplomata ao Crux .
A conversa entre Kassissieh e Gallagher abordou também o estatuto especial de Jerusalém e a necessidade de garantir o acesso a locais sagrados, como a Mesquita de Al-Aqsa e a Igreja do Santo Sepulcro, à medida que o Ramadão e a Páscoa se aproximam, para assegurar que Jerusalém continua a ser o coração espiritual das religiões monoteístas. Impor restrições a esses locais – algo que está a ser considerado pelo governo israelita – será “uma receita para mais deterioração e para mais raiva”, defendeu o embaixador palestiniano.
“Precisamos que os líderes mundiais agitem as suas consciências”
Na qualidade de representante dos embaixadores árabes junto à Santa Sé, Kassissieh entregou ainda uma carta a Gallagher, enfatizando a importância de apoiar a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA), num momento em que a organização é responsável pela maior parte da resposta humanitária na Faixa de Gaza, proporcionando “uma tábua de salvação a milhões de refugiados palestinianos em toda a região”.
Issa Kassissieh insistiu na importância de haver um maior empenho da comunidade internacional, e em particular do mundo ocidental, para garantir que o povo de Gaza tenha acesso a essa ajuda.
“O mundo inteiro está a assistir na televisão e vê nos olhos das crianças o sofrimento. Os nossos filhos já sofrem o suficiente, o trauma que eles enfrentam é impensável”, afirmou, acrescentando: “Gaza tornou-se um cemitério para os nossos filhos. Portanto, precisamos que os líderes mundiais agitem as suas consciências, como é o caso do Santo Padre”, concluiu, expressando esperança de que “com a vontade de Deus, esta carnificina irá parar”.






