
É preciso “eliminar qualquer pretexto que possa levar os jovens a imaginar o seu futuro sem esperança”, afirma o Papa Francisco. Foto © Vatican Media
Perdoar as dívidas dos países pobres, respeitar a dignidade da vida humana eliminando de vez a pena de morte, e criar um fundo global que sirva para erradicar a fome, promover o desenvolvimento sustentável e combater as alterações climáticas: eis os três pedidos concretos do Papa na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, que se assinala esta quarta-feira, 1 de janeiro.
Se forem colocadas em prática, as “três ações” poderão “devolver a dignidade à vida de populações inteiras e colocá-las de novo no caminho da esperança”, afirma Francisco.
No caso do perdão da dívida, o Papa assinala que “para que não se trate de um ato isolado de beneficência, que corre o risco de desencadear de novo um ciclo vicioso de financiamento-dívida, é necessário, ao mesmo tempo, desenvolver uma nova arquitetura financeira que conduza à criação de um acordo financeiro global, baseado na solidariedade e na harmonia entre os povos”.
Quanto ao “compromisso de promover o respeito pela dignidade da vida humana, desde a concepção até à morte natural”, o Papa considera-o essencial para que “cada pessoa possa amar a sua vida e olhar para o futuro com esperança, desejando o desenvolvimento e a felicidade para si e para os seus filhos”.
E em relação ao fundo mundial, a sugestão de Francisco é que este seja criado utilizando “pelo menos uma percentagem fixa do dinheiro gasto em armamento”.
Deste modo, defende o Papa, será possível “eliminar qualquer pretexto que possa levar os jovens a imaginar o seu futuro sem esperança, ou como uma expectativa de vingar o sangue derramado pelos seus entes queridos” e então a “tão desejada meta da paz” ficará “cada vez mais próxima”.
A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) “propõe a todos uma leitura atenta” desta mensagem do Papa por ocasião do Dia Mundial do Paz, até porque ela não se dirige apenas aos decisores políticos, mas “a todos os homens e mulheres de boa vontade”, sublinha o organismo da Igreja Católica em comunicado enviado esta segunda-feira, 30 de dezembro, ao 7MARGENS.
“Somos todos destinatários desta mensagem, no nosso agir concreto de cada dia, e não apenas os líderes das nações”, escreve a CNJP, lembrando que “todos somos responsáveis pela eliminação dos espaços de opressão ainda existentes, através da partilha e de relações que assentem em valores como a fraternidade, a justiça e a paz”.
Referindo-se aos migrantes olhados com desconfiança e receio, aos pobres tantas vezes ignorados, às comunidades do interior “a quem os fogos do verão e do outono devoram a esperança” ou às “famílias que vivem sob o jugo das dívidas”, a Comissão Nacional Justiça e Paz apela” à transformação da filantropia “em amor e atenção ao próximo, com um sorriso, um abraço, um gesto de ternura”.
E sugerindo que o Ano Jubilar, que agora se inicia, pode ser a oportunidade para entoar “um cântico novo”, conclui: “Queiramos ser anunciadores de uma Esperança audaz e não apenas de um otimismo politicamente correto. A Esperança é ambição de amor. É ousadia. É, a bem dizer, o impulso vigoroso da Paz e da Justiça”.
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