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Livro sobre “média alternativos”

7MARGENS entre os “resistentes e desalinhados” de um jornalismo insubmisso

| 13/01/2025

“Um livro sobre resistentes e desalinhados, que praticam um jornalismo insubmisso face à lógica do mercado, ao controlo dos grandes grupos económicos, à velocidade, às notícias curtas e ao entretenimento”. Esta é a forma como o livro Um Outro Jornalismo é Possível: Media Alternativos Em Portugal é apresentado pela editora Outro Modo. A obra será apresentada nesta terça-feira, 14, em Lisboa, e inclui um texto sobre o 7MARGENS entre duas dezenas de artigos.

“Trazer as margens para o centro – como a religião pode ser um tema que importa ao jornalismo” é o título do artigo de António Marujo, que fecha o livro, cuja apresentação será a partir das 18h. Para a apresentação da Casa da Imprensa (R. da Horta Seca, 20, junto ao Largo Camões), a escritora e dramaturga Luísa Costa Gomes e o jornalista Paulo Pena juntam-se a Filipa Subtil, uma das co-organizadoras (com José Nuno Matos e Carla Baptista).

No texto, o director do 7MARGENS diz que o jornal aqui está, “vencendo dificuldades e contrariedades, para afirmar ambos os factos: que é possível um jornalismo rigoroso, sério, independente dos poderes e que, ao mesmo tempo, afirma a possibilidade, o interesse e a relevância de um jornalismo sobre o fenómeno religioso e espiritual”.

“A questão religiosa continua muito presente na vida de grandes percentagens de pessoas, por todo o mundo (com raras excepções)”, escreve o jornalista do 7MARGENS. “Mas aqui se revela outro dos problemas do jornalismo: na hora de querer dar notícia, é mais fácil falar das instituições e dos seus líderes do que das comunidades, das gentes que as compõem, dos seus anseios, problemas e expectativas. No religioso como em muitos outros campos da vida social, falta(va)m pessoas e abunda(va)m instituições. Este é outro bloqueio difícil de romper.”

capa livro Outro jornalismo O 7MARGENS vive com “parcos meios económicos”, com “donativos dos leitores” e muito trabalho voluntário, mas teve já um projecto financiado por um fundo europeu dedicado aos “desertos religiosos” (para a criação do 7MONTES), recorda o texto. Razão para uma crítica ao facto de a União Europeia ter regras que impedem uma publicação como o 7MARGENS, de carácter não-confessional e feita por jornalistas, de aceder a apoios europeus – “direitos que outros têm”. E acrescenta: “A experiência religiosa pode ser factor de abertura à diversidade mas, mas esse potencial não é reconhecido a um meio como este. Triste laicidade, que omite uma dimensão importante da vida das pessoas.”

O texto acaba a propor sete ideias que norteiam o 7MARGENS: a cobertura do “noticiário religioso e espiritual, menosprezado pelos média generalistas”; dar “voz às confissões minoritárias em Portugal”; “iluminar os debates internos que atravessam as diferentes instituições religiosas”; “os temas dos direitos humanos, dos refugiados, da emergência climática, da guerra e da paz”; “dar direito de cidadania às geografias menos cartografadas pelos média generalistas: o Sul do mundo, os países mais pobres, os conflitos esquecidos”; vincar “o valor da liberdade e, nele, o da liberdade religiosa como tradução do (des)respeito absoluto pela consciência individual e dos direitos dos povos”; e “contribuir para a construção de uma opinião pública de matriz religiosa – quer para o interior das instituições, quer destas em relação à praça pública”.

O livro fala de médias “alternativos” ou “contra-hegemónicos”, “participativos e comunitários”, que promovem “a mudança social por meio de abordagens politizadas e aprofundadas, seja de cariz sindical, partidário, feminista, estudantil ou anticolonial”. E que inclui “órgãos de imprensa operária, religiosa, boletins e fanzines, revistas culturais, filmes, rádios, jornais digitais” e ainda projectos multimédia “que desafiam as narrativas dominantes, se organizam de forma horizontal, não buscam o lucro e trabalham para nichos cúmplices, próximos e afectuosos”.

 

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