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Sínodo da Igreja de Inglaterra. Foto @ site Igreja de Inglaterra

Igreja Anglicana

Bispo católico de Bruxelas discursou no Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra

| 12/07/2026

 

Abriu na passada sexta-feira no campus da Universidade de Iorque a sessão de verão do Sínodo Geral da Igreja (anglicana) de Inglaterra, com uma agenda onde se destacam algumas matérias polémicas, incluindo uma moção de solidariedade com os cristãos da Palestina, outra de reforço da identidade inglesa e o ressarcimento das comunidades afetadas pelo legado da escravatura.

O Sínodo, cujo mandato de cinco anos está na reta final, marca também a abertura de um processo eleitoral da maioria dos seus membros – bispos, presbíteros e leigos – que se prolongará até ao próximo outono. Será também a primeira vez que a ex-bispa de Londres, Sarah Mullally, tomará parte nos trabalhos na qualidade de arcebispa de Cantuária e primaz de toda a Inglaterra.

Esta sessão de verão abre com uma intensa e extensa ordem de trabalhos, que combina palestras, sessões de debate com tempos de celebração, oração e duas sessões de perguntas, colocadas antecipadamente por escrito (refira-se, por curiosidade, que foram apresentadas nada menos de 239, das quais uma boa parte já foram respondidas por departamentos específicos da Igreja, num documento que se aproxima da centena de páginas).

As várias sessões dos cinco dias de trabalhos pronunciar-se-ão também sobre aspetos como ações proactivas de inclusão de pessoas neuro divergentes, em todos os níveis da vida eclesial; revisão da atividade e necessidades da Igreja no tocante às comunicações digitais; promoção da identidade nacional; atenção pastoral a crianças acolhidas e jovens em situação de acolhimento; compatibilidade dos relacionamentos de pessoas do mesmo sexo com o discipulado cristão, entre outros pontos.

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‘Uma matéria que vai ser debatida e que já suscitou polémica ainda antes de este evento ter início é a proposta de manifestação de solidariedade com os cristãos palestinianos e seus irmãos da Palestina “na resistência não violenta à ocupação em curso”’ Foto @ site Igreja de Inglaterra

Uma matéria que vai ser debatida e que já suscitou polémica ainda antes de este evento ter início é a proposta de manifestação de solidariedade com os cristãos palestinianos e seus irmãos da Palestina “na resistência não violenta à ocupação em curso”.  Apesar do cuidado de rejeitar o antissemitismo e de lamentar a perda de vidas e as violações da dignidade e dos direitos humanos quer do lado palestiniano quer israelita, a moção foi fortemente criticada por organizações judaicas no Reino Unido. É especialmente criticado que, na moção apresentada, haja referência a um documento que carateriza a atuação do Governo e do exercito israelitas como genocídio.

Ainda que não passe pela sala sinodal, um outro ponto que está a suscitar forte contestação é um evento paralelo, apoiado por um stand de exposição, aparentemente promovido por um membro do Sínodo, com aprovação dos arcebispos de Cantuária e de Iorque, que aborda as chamadas “terapias de conversão”. Este facto levou 82 membros do Sínodo a escrever aos arcebispos de Cantuária, solicitando-lhes que exerçam seus poderes discricionários como presidentes do Sínodo para “defender as diretrizes de proteção da Igreja e o espírito da Igreja da Inglaterra”. Recorde-se que o Sínodo Geral já havia endossado um “Memorando de entendimento sobre terapia de conversão, reconhecendo os danos associados às práticas de conversão e apoiando ações legislativas para proibi-las”.

No meio destas polémicas, o Sínodo iniciou os seus trabalhos com um discurso inaugural feito pelo arcebispo anfitrião, Stephen Cottrell, que sublinhou o valor da diversidade dentro da Igreja, desde que as diferenças não impeçam de colocar Cristo no centro da vida eclesial. Disse ainda que apesar das divergências existentes relativamente à sexualidade humana, todos defendem que, na vida das comunidades, não há lugar para a homofobia, nem para a exclusão.

Registe-se também que, no arranque dos trabalhos, usou da palavra, a título de convidado ecuménico, o bispo católico de Malines-Bruxelas, o qual referiu que, tal como frisaram tanto o Papa Francisco como o Papa Leão XIV, a Igreja de Roma tem muito a aprender com a experiência sinodal dos anglicanos.

Os trabalhos sinodais prolongam-se até terça-feira, 14 de julho.

 

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