A arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, iniciou este domingo, 26 de julho, uma visita de dez dias à Igreja Anglicana da Província da África Ocidental, naquela que é a sua primeira visita pastoral ao continente africano desde que foi empossada no cargo, em março deste ano.
A visita, que acontece a convite do Primaz daquela Província, levará a líder religiosa a visitar dois dos oito países que compõe aquele organismo anglicano da África Ocidental: o Gana até ao dia 30 e os Camarões, a partir do dia seguinte.
Sarah Mullaly, que, desde a tomada de posse, já visitou também as Igrejas em Israel e nos territórios palestinianos, terá agora dias de atividade intensa:
estará em várias paróquias, proferirá sermões, participará em atos de culto e contactará com instituições de natureza social e educativa ligadas à Comunhão Anglicana.
Neste domingo, estava previsto que a arcebispa pregasse na Igreja Anglicana de São José Operário, em Kanashie (Gana), numa eucaristia conduzida inteiramente por mulheres do clero da Igreja Anglicana do Gana.
O facto de Sarah Mullally ter sido, na sua vida civil, enfermeira e responsável pela enfermagem do Serviço Nacional de Saúde de Inglaterra, está presente em vários momentos do itinerário da responsável anglicana. Assim, na cidade ganense de Kumasi fará um sermão numa cerimónia para mais de mil estudantes da área da saúde no Colégio de Enfermagem e Obstetrícia de Santa Mónica, e inaugurará uma nova clínica nessa instituição, que receberá o seu nome, em sua homenagem. No sábado, 1 de agosto, já nos Camarões, visita uma universidade e uma fundação que oferece formação especializada em saúde para enfermeiros e parteiras.
A líder da Igreja Anglicana terá também, no âmbito desta viagem, reuniões com bispos da Província e com o clero de algumas dioceses, bem como encontros com responsáveis políticos dos dois países visitados.
Comentando a visita, nas vésperas de ela acontecer, a arcebispa de Cantuária afirmou:
“De igrejas paroquiais e projetos de saúde à Associação Anglicana de Jovens e filiais da União das Mães, será um privilégio testemunhar tudo o que Deus está a fazendo ali, com pessoas de todas as idades e origens, além de adorar e orar com [os fieis] de toda aquela região”.
Importa referir que esta viagem se reveste de um significado especial, dado que é no continente africano que se tem vindo a desenvolver um movimento de primazes e bispos anglicanos que pretende seguir um caminho autónomo, no espaço anglicano. As razões invocadas prendem-se com a discordância com opções tomadas pela Comunhão Anglicana, relacionadas com o papel das mulheres na Igreja e com as relações entre pessoas do mesmo sexo.










