A Assembleia da República aprovou esta quarta-feira, 9 de setembro, por unanimidade, um voto de pesar pela morte de Eugénio Fonseca, antigo presidente da Cáritas Portuguesa e presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado. Um dia antes, também a Assembleia Municipal de Lisboa tinha aprovado um voto de pesar pelo seu desaparecimento. Eugénio Fonseca morreu a 12 de agosto, aos 69 anos.
No voto aprovado pelo Parlamento, Eugénio Fonseca é recordado como uma “figura de referência do voluntariado e da solidariedade social em Portugal”. Os deputados sublinham o seu conhecimento próximo das situações de pobreza e exclusão social e destacam o esforço para afirmar uma cultura de proximidade e descentralização à frente da Cáritas Portuguesa, numa presidência marcada pelo humanismo cristão e pelo respeito pela integralidade da pessoa.
A Assembleia da República salienta ainda o trabalho desenvolvido na Confederação Portuguesa de Voluntariado, que Eugénio Fonseca presidia desde 2009, no sentido de consolidar uma cultura de serviço e aproximar as instituições particulares de solidariedade social dos cidadãos.
O voto parlamentar considera que Eugénio Fonseca deixa “um exemplo ímpar de cidadania e de compromisso ético, humano e cristão”, marcado pela defesa da opção preferencial pelos mais pobres.
Os deputados fizeram questão de prestar tributo ao seu “legado de serviço ao próximo e dedicação ao bem comum” e endereçaram condolências aos familiares e amigos, alguns deles presentes na galeria durante a leitura do voto de pesar, bem como à Cáritas Portuguesa e à Confederação Portuguesa de Voluntariado.
Já na terça-feira, 8 de setembro, a Assembleia Municipal de Lisboa tinha aprovado igualmente por unanimidade um voto de pesar apresentado pelo Grupo Municipal do Partido Socialista.
O texto destaca a ligação de Eugénio Fonseca à cidade, onde o seu percurso de intervenção social se cruzou com o combate à pobreza e à marginalidade.
O documento salienta em particular o trabalho desenvolvido perante problemas como o desemprego e a toxicodependência e o seu empenho no reforço das respostas de emergência social, defendendo o acolhimento digno das pessoas que se encontravam à margem da sociedade.
A Assembleia Municipal sublinha ainda a sua conceção da solidariedade não como mera “caridade assistencialista”, mas como expressão de cidadania ativa e elemento essencial de uma sociedade livre e democrática, assente na garantia dos direitos de todos, “sobretudo dos que não têm voz”. Entre as distinções recebidas ao longo do seu percurso são referidas a Ordem de Mérito de Grande Oficial e a Medalha de Honra da Segurança Social.
O voto aprovado em Lisboa propôs, além da manifestação de pesar e do envio de condolências à família, à atual presidente da Cáritas Portuguesa, Rita Valadas, e à direção e colaboradores da instituição, o cumprimento de um minuto de silêncio em memória de Eugénio Fonseca.
Os dois votos, aprovados por unanimidade em órgãos políticos de diferentes níveis, fazem assim um reconhecimento transversal de um percurso de quase meio século ligado à Cáritas, ao voluntariado e à defesa da dignidade dos mais vulneráveis.










