Sara Jona Laísse

Comunidades com sentido: xitíkar, tsimar e cuidar

Zuckerberg está certo ao lamentar a desagregação das comunidades humanas. Embora, no séc. XXI, as pessoas possam vir a actualizar-se até se tornarem deuses, em 2018 ainda somos animais da Idade da Pedra. Para florescermos, ainda precisamos de nos ancorar em comunidades íntimas. Durante milhões de anos, os seres humanos adaptaram-se a viver em...

Ventos, baladas e canções do matrimónio

Tive que escrever um texto sobre Balada de Amor ao Vento, o primeiro romance da primeira romancista moçambicana, Paulina Chiziane. Folheando o livro, encontrei algumas anotações feitas, há algum tempo. Tenho o hábito de borrar nos meus livros, com os pensamentos que me ocorrem, no momento da leitura. Encontrei sublinhadas as frases que seguem e...

Lá em casa é assim, “cada macaco no seu galho”

  Escrevi, em tempos, um texto sobre um artista moçambicano na diáspora, Cândido Xerinda, e para tal, precisei de estudar Altuna (2006), obra na qual se mencionam as seguintes características do povo bantu: participação na vida colectiva da tribo, clã ou família; consideração dos estatutos sociais das pessoas, em função do lugar que ocupam...

A viagem do vestido de casamento

  O cerne da questão das cerimónias de casamento, na minha sociedade, é o vestido de noiva. A existência do vestido de noiva é antecedida pelo anúncio do casamento, que traz felicidade a alguns familiares, tanto da noiva, quanto do noivo. Digo alguns, porque um casamento, para além da graça que carrega, reúne em torno de si muita agrura....

Performance, expressões, palavras: rituais do acto de contar

Este jeito de contar as nossas coisas à maneira simples das profecias – Karingana ua Karingana! – é que faz o poeta sentir-se gente E nem de outra forma se inventa o que é propriedade dos poetas nem em plena vida se transforma a visão do que parece impossível em sonho do que vai ser, Karingana!” José Craveirinha, Karingana ua Karingana (Lisboa:...

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