Tudo indica que a liberdade religiosa e a preservação do património cristão sofreram um novo golpe no enclave de Nagorno-Karabakh, de população maioritariamente arménia. Imagens de satélite captadas a 26 de abril confirmaram aquilo que já vários grupos de monitorização temiam: a catedral da Santa Mãe de Deus, o principal templo cristão da capital da região (conhecida pelos arménios como Stepanakert e pelos azeris como Khankendi), foi completamente demolida.
A catedral, cuja construção teve início em 2006 e foi consagrada apenas em 2019, era um símbolo da presença espiritual arménia na região, que tem sido um foco de tensão desde a sua separação do Azerbaijão, desde finais da década de 80. Durante os conflitos de 2020, o seu subsolo serviu de abrigo para civis que fugiam dos bombardeamentos. Agora, o espaço onde se erguia o templo é apenas um terreno vazio, mostram as imagens obtidas pela Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL).
Mas o desmantelamento do património não terá ficado apenas pela catedral. De acordo com a mesma fonte, a Igreja de São Jacob, concluída em 2007 graças ao financiamento de um filantropo arménio-americano em memória do seu filho falecido, também foi arrasada. Relatos da Igreja Ortodoxa da Arménia indicam ainda que “khachkars” (cruzes de pedra tradicionais arménias) localizadas no recinto desta igreja foram igualmente destruídas.
No passado dia 23 de abril, os líderes da Igreja Ortodoxa da Arménia acusaram o Azerbaijão de “atacar deliberadamente locais sagrados cristãos arménios, buscando apagar a presença arménia” em Nagorno-Karabakh.
Elnare Akimova, membro do parlamento do Azerbaijão, disse ao serviço azerbaijano da RFE/RL que as alegações de destruição das igrejas são “uma provocação das forças revanchistas” para prejudicar a imagem de Baku.
Akimova afirmou ainda que o seu país “preservou monumentos religiosos e históricos no seu território como política de Estado. Nunca teve a intenção de destruir qualquer património religioso.”
Alguns dias antes, a Igreja Ortodoxa da Arménia havia emitido um outro comunicado, denunciando que o seu clero foi proibido de entrar nos estabelecimentos prisionais da região. “Esta medida constitui mais uma manifestação de uma política deliberada destinada a restringir a missão pastoral da Igreja Arménia na vida pública, conforme garantido por lei. Ações semelhantes já ocorreram nas Forças Armadas da República da Arménia e no setor educativo”, pode ler-se no texto, que conclui: “As contínuas ações ilegais contra a Igreja não deixam dúvidas de que a força política dominante elevou a política antieclesiástica ao nível de política de Estado, que é destrutiva por natureza e, portanto, merecedora da mais veemente condenação”.










