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Liberdade religiosa
Liberdade Religiosa. Foto © Observatório para a Liberdade Religiosa e de Consciência

Relatório

Espanha: ataques contra a liberdade religiosa cresceram 26 por cento em 2025

| 16/09/2026

 

A Espanha registou 306 ataques à liberdade religiosa durante o ano passado, o que representa um crescimento de 26 por cento em relação ao ano anterior. De acordo com o relatório anual divulgado hoje, 16 de setembro, pelo Observatório para a Liberdade Religiosa e de Consciência (ORLC) quase 70 por cento das ofensas foram realizadas contras cristãos, o que decorre do facto da esmagadora maioria da população e do património cultural edificado ser cristão.

“Os dados confirmam que a liberdade religiosa retrocede em Espanha de forma continuada e acelerada. Cada ano que passa o problema torna-se maior e a resposta institucional mais insuficiente” – afirmou Maria García, presidente do ORLC, comentando o facto de que desde 2012 (ano do primeiro relatório) os ataques não pararam de subir, tendo este ano sido mais 57 por cento do que em 2023.

Com 40 casos em 2025 (13% do total), a comunidade judaica ocupa o segundo lugar em número absoluto de ataques. O dado é especialmente grave tendo em conta que a população judaica representa menos de 0,1 por cento da população total de Espanha. Desde 2022, os ataques contra judeus aumentaram 13 vezes. Por seu turno, os muçulmanos sofreram 26 ataques (2,5 vezes mais do que em 2024).

Em 2025, o observatório registou 73 ataques a locais de culto e símbolos religiosos (um aumento de 59% em relação a 2024), 50 casos de humilhação a fiéis (aumento de 67%), 72 casos de escárnio à religião (aumento de 7%) e 105 casos de laicismo beligerante (aumento de 12% em relação a 2024), sendo esta a categoria mais frequente pelo segundo ano consecutivo. No que toca à comunidade católica, ela foi, entre outros, vítima de laicismo beligerante (60 casos) e de escárnio à religião (40 casos).

“O facto de os ataques a locais de culto terem crescido quase 60 por cento num único ano é um dado que deveria alarmar qualquer Governo que leve a sério a convivência [entre os cidadãos]. Na maioria dos casos, os autores são desconhecidos, o que dificulta a ação judicial, mas não isenta o poder público da responsabilidade de prevenir e punir esses atos com mais eficácia”, sublinhou a presidente do ORLC durante a apresentação do relatório.

Boa parte – um em cada três, 105 casos no total – destes ataques à liberdade religiosa têm origem nos partidos e representantes políticos. PSOE (31 casos), Sumar (26), Podemos (18) e Vox (11). No âmbito mediático, a televisão pública – a RTVE acumula 5 casos.

Para além de se criticar severamente esta situação, o observatório exige que o Governo da Espanha e os legisladores “protejam os símbolos e locais de culto, mantenham no Código Penal o crime de ofensa aos sentimentos religiosos, respeitem o direito de rezar em vias públicas e erradiquem o laicismo beligerante das instituições e dos meios de comunicação públicos”.

 

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