AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Assinatura do protocolo entre a Igreja, o Governo e o Defensor do Povo (Provedor de Justiça), em 30 de março de 2026. Foto © site Defensor del Pueblo

Desde 15 de abril

Igreja espanhola: 450 vítimas de abusos queixam-se ao provedor do povo

| 04/08/2026

 

O defensor do povo (provedor de justiça) de Espanha recebeu, entre 15 de abril e 31 de julho, 450 processos de vítimas de abusos sexuais no âmbito da Igreja Católica, 149 dos quais já se encontram na fase final de tramitação e quatro foram recusados por não corresponderem ao estabelecido no protocolo assinado em 30 de março de 2026 entre a Igreja, o Governo e o defensor do povo para o reconhecimento e a reparação das vítimas de abusos sexuais perpetrados por responsáveis eclesiais.

A assinatura daquele protocolo teve lugar depois de vários anos em que a Conferência Episcopal Espanhola (CEE) procurou esconder a questão dos abusos e recusou-se durante muitos anos a realizar uma investigação aprofundada sobre esta realidade. Esta tentativa de encobrimento por parte dos bispos espanhóis deu origem a um conflito velado com Roma e só foi superado pela pressão de algumas ordens religiosas e pela publicação de investigações levadas a cabo pela Imprensa, com destaque para as realizadas pelo jornal El País [ver 7MARGENS].

O relatório divulgado no dia 3 de agosto pela unidade de vítimas do defensor do povo especifica que foram realizadas entrevistas personalizadas a 105 vítimas e que os 149 casos referidos “se encontram já na etapa final do processo de reconhecimento da condição de vítima e de definição da reparação”.

A unidade de vítimas do defensor do povo é composta por profissionais independentes especializados em vítimologia, psicologia, criminologia e outras áreas jurídicas. O defensor do povo, Ángel Gabilondo Pujol, tem sublinhado que “este processo visa recuperar a pessoa e reparar danos, não se trata de um mero trâmite burocrático que coisifica o indivíduo, mas sim de um procedimento flexível, personalizado, profissional e humano”.

O Protocolo detalha que a reparação a oferecer às vítimas “poderá ser simbólica ou restaurativa, voltada ao reconhecimento institucional e à oferta de meios para acompanhamento, ou de um pedido de desculpas; e pode também ser económica, visando compensar o dano causado e cobrir as despesas registadas no tratamento de eventuais sequelas físicas e psicológicas.”

Reunião da Unidade de Vítimas da Provedoria de Justiça. Foto © site Defensor del Pueblo

Aquele acordo entre a Igreja e o Estado espanhol obriga a unidade de vítimas do defensor do povo a “estudar o caso e ouvir as partes envolvidas e elaborar, no prazo máximo de três meses, uma avaliação de reconhecimento ou de indeferimento da solicitação” apresentada pelas vítimas de abusos sexuais.

No final de 2021, o jornal El País entregou ao Papa Francisco um relatório de 385 páginas em que sintetizava mais de três anos de investigação realizada pelos seus jornalistas. Alguns dias depois o mesmo relatório foi entregue ao cardeal Juan José Omella, então presidente da CEE.

Na ocasião, o jornal queixava-se da “ausência de dados oficiais da Igreja ou das autoridades” e calculava, somando os 251 casos por ele investigados com os que foram sendo denunciados por outras fontes ao longo dos últimos anos, que se esteja perante “pelo menos 602 casos – cada um referente a um réu – e 1.237 vítimas, desde os anos 1930.”

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Uma Igreja sinodal não se fica pela consulta

Portugueses no simpósio europeu

Uma Igreja sinodal não se fica pela consulta

“Uma Igreja verdadeiramente sinodal não é apenas uma Igreja que consulta, mas uma Igreja que, em comunhão, discerne caminhos e assume responsabilidades”, escrevem os quatro membros da Equipa Sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa como balanço da sua participação no simpósio europeu que decorreu entre 14 e 17 de setembro de 2026, em Wels, cidade situada perto de Linz (Áustria).

Padre assassinado a tiro no México, bispos exigem investigação

Região marcada por violência

Padre assassinado a tiro no México, bispos exigem investigação

O padre Román de la Cruz Hernández, pároco de Santa Cruz, em Huejutla, no estado mexicano de Hidalgo, foi assassinado a tiro, tendo o seu corpo sido encontrado junto a uma estrada, com ferimentos provocados por arma de fogo. A Conferência do Episcopado Mexicano (CEM) manifestou “indignação e tristeza” com o sucedido e pediu uma investigação exaustiva para esclarecer o crime.

Como matar um Dragão

[Arquipélago Jerusalém]

Como matar um Dragão

Começam hoje, 18 de setembro, as eleições para a Duma russa, num país onde a guerra condiciona a vida política e onde o Kremlin procura impedir que o descontentamento se transforme em alternativa. Para situarmos estas eleições, nada melhor do que repetir uma anedota dos tempos soviéticos. [Texto de Mendo Castro Henriques].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This