O batismo, a escuta, os relacionamentos e uma nova cultura de liderança estiveram no centro da Conferência Europeia sobre Sinodalidade, que reuniu, entre 14 e 17 de setembro, em Wels, na Áustria, 187 participantes de 31 países europeus, entre os quais quatro representantes da Equipa Sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Os 21 grupos de trabalho pediram caminhos mais claros para a consulta, a responsabilidade, a tomada de decisões e a prestação de contas, bem como a criação de espaços eclesiais que permitam uma participação efetiva.
A conferência foi organizada em cooperação com a Universidade Católica Privada de Linz e a Taskforce Europeia do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), sob o patrocínio deste organismo.
O encontro não teve como objetivo produzir um documento final. Mas os relatórios dos grupos de trabalho deverão, segundo o Vatican News, ser submetidos à Presidência do CCEE, tendo em vista a elaboração de um roteiro para as Igrejas europeias até à Assembleia Eclesial do Sínodo, prevista para outubro de 2028.
“Se nada é verdadeiramente maior do que o batismo, por que razão ele frequentemente exerce tão pouca influência visível na nossa vida como Igreja?”. A interrogação foi lançada pela teóloga pastoral Klara-Antonia Csiszar, vice-reitora da Universidade Católica Privada de Linz e presidente da conferência, sublinhando a igualdade de condição de todos os católicos conferida pelo batismo.
A capacidade de escuta foi outra das dimensões destacadas por Csiszar, que defendeu a necessidade de a Igreja estar mais atenta às questões que realmente preocupam as pessoas e de alterar a sua forma de agir a partir das experiências delas. “Escutar significa permitir-se ser interrompido”, afirmou.
Na abertura da conferência, o vice-presidente do CCEE e arcebispo de Luxemburgo, cardeal Jean-Claude Hollerich, alertou para a tendência de as pessoas com opiniões diferentes serem “rapidamente rotuladas como adversárias”. Na cultura atual das “nossas sociedades”, acrescentou, “fala-se muito e ouve-se pouco”, segundo noticiou o Domradio.de, portal multimédia católico sediado em Colónia (Alemanha).
Antes de entrar na conferência, Hollerich tinha também afirmado aos jornalistas que “a Igreja sempre esteve em transformação desde os tempos de Jesus”. Por sua vez, a subsecretária do Sínodo dos Bispos no Vaticano, Nathalie Becquart, recordou aos participantes que, num processo sinodal, todos devem estar preparados “para renunciar às suas próprias visões, sempre limitadas” e permitir-se “serem transformados pelo diálogo”.
Becquart, religiosa da Congregação de Xavières, sublinhou ainda que, se à Igreja é pedido que “fortaleça as relações entre pessoas”, também não pode esquecer-se de “aprender a manter a diversidade unida num movimento comum”.
Novo encontro em 2027
Outra das intervenções destacadas foi a do teólogo checo Tomáš Halík, que descreveu a secularização da Europa como um processo que enfraqueceu a influência da Igreja e a transmissão da fé, mas que, ao mesmo tempo, promoveu a liberdade de consciência e rompeu os laços estreitos entre religião e poder político. Para Halík, a perda de privilégios sociais pode representar para o cristianismo um processo de purificação, conduzindo a Igreja a uma presença mais orientada para o diálogo numa sociedade pluralista.
Um dos sinais da valorização da diversidade foi a oração final da conferência, conduzida pelo irmão Matthew, prior da Comunidade de Taizé.
No encerramento, Klara Csiszar propôs a criação de um “Fórum Europeu da Igreja para a Interpretação dos Sinais dos Tempos”. Foi também apontada a realização de um novo encontro em 2027, na Universidade Católica da Bélgica, para reencontrar os caminhos da sinodalidade percorridos pelas comunidades dos 31 países europeus, antes da Assembleia Eclesial do Sínodo de 2028.










