Ir ao encontro de propostas de presença junto dos mais excluídos e poder dialogar com quem nelas participa e delas beneficia é o propósito que marca os encontros de leitores do 7MARGENS que terão lugar logo após festejarmos o oitavo ano de vida deste jornal (7 de janeiro de 2027). No Porto, a 9 de janeiro, será possível conhecer a escola de vida Arco Maior e a 16 de janeiro, em Alhos Vedros, os leitores serão recebidos no Bairro da Quinta da Fonte da Prata pelas irmãs e voluntários da Fundação Santa Rafaela Maria.
Em ambos os sábados haverá tempo para, durante a manhã, conhecer os diferentes projetos que aquelas duas instituições desenvolvem e conversar com os animadores e alguns dos membros da população abrangida. A tarde será dedicada à troca de impressões, ideias, informações, sugestões e propostas para o 7MARGENS.
Ao propor um formato diferente daquele que tem caracterizado os últimos encontros de leitores, a Direção do 7MARGENS espera que o confronto com a realidade concreta vivida em projetos de grande radicalidade possa ser um desafiante pano de fundo para se avaliar o caminho percorrido nestes oito anos e pensar o futuro próximo do jornal. Passar um dia em contacto com estas realidades será também motivo para reforçar a cumplicidade e os laços de proximidade entre a comunidade de leitores.
Por outro lado, ao deixar de marcar estes tempos de encontro no quarto trimestre do ano e propô-los em datas próximas do início do ano, procurou-se situá-los em momentos de menor concentração de solicitações de vária índole.
Assim, depois de dois anos seguidos acolhido pela comunidade redentorista que alimenta o projeto do Espaço Porta, na Rua da Firmeza, no Porto, o desafio do 7MARGENS para o encontro de leitores que vivem mais a Norte é, desta vez, ir conhecer o Arco Maior, um espaço socioeducativo portuense com mais de dez anos de vida.
O nome deste projeto pretende simbolizar a intenção e a prática de acolher todos, particularmente aqueles adolescentes e jovens que, pelas mais variadas razões, não completaram a escolaridade obrigatória. No Arco Maior, elas e eles procuram, de forma apoiada, encontrar o seu itinerário de vida e os recursos e caminhos para o realizar.
Ao escolher ir ao encontro deste projeto inovador dá-se a oportunidade para o conhecer, escutando os testemunhos de quem o alimenta, incluindo os próprios jovens. E, por essa via, conhecer o caminho feito, que mostra que, por vezes, mesmo nas situações mais problemáticas, é possível mudar, quando se reconhece e acolhe as pessoas que moram em cada um dos que se excluíram ou se sentiram excluídos das instituições de ensino.
Encontro num bairro multicultural

Entrada do bairro da Fonte da Prata, em Alhos Vedros (Moita). Foto © Clara Raimundo.
Ao Bairro da Quinta da Fonte da Prata, em Alhos Vedros, chegaram durante anos pessoas e famílias vindas de vários pontos do país e do estrangeiro, tendo algumas delas construído ou ajudado a construir as suas próprias habitações, após o desenvolvimento inicial feito nos anos 70 do século passado pela empresa Comitur que ali pretendia criar um empreendimento turístico. Hoje é um bairro multicultural, cheio de vida própria e alguma vez “visitado” pelas reportagens televisivas.
Desde 1992, a Congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus está presente no bairro através da sua Fundação Santa Rafaela Maria, entidade que desenvolve os projetos de cariz social daquela congregação. O apoio a crianças e jovens com grandes dificuldades de aprendizagem e provenientes de famílias muito carenciadas e de ambientes desestruturados e os cursos para inserção na vida ativa e formação em contexto de trabalho para jovens adultos em situação de abandono escolar têm marcado a presença das irmãs na Quinta da Fonte da Prata.
Mas, também muito importante, tem sido a promoção e coordenação do Centro Local de Apoio à Integração do Imigrante que a fundação tem realizado, bem como o apoio social e económico a famílias em situação de vulnerabilidade. É para conhecer estas realidades que os leitores do 7MARGENS do centro e Sul do país, desde já, estão convidados.
Poder contactar com alguns dos moradores, conhecer a intencionalidade, os êxitos, as derrotas e os desafios que as irmãs e os animadores encontram nos contactos e projetos que desenvolvem será ocasião para aprofundar uma imagem diferente das pessoas e das comunidades que tantas vezes são apresentadas nos media através de discursos preconceituosos e estigmatizantes.
A seu tempo serão divulgadas informações mais precisas sobre os programas dos sábados, 9 e 16 de janeiro de 2027, nos quais haverá também espaço para conversar sobre o percurso feito e a fazer por este jornal. Para já, ficam as datas para que possam ser reservadas no calendário de cada um.










