Luiz Fernando Lisboa, antigo Bispo de Pemba, Moçambique, e actual Bispo de Cachoeiro de Itapemirim, Brasil, foi distinguido com um doutoramento Honoris Causa concedido pela Universidade Estadual de Londrina, Estado do Paraná, Brasil. A iniciativa visa homenagear o trajecto do prelado, que incluiu uma vigorosa e insistente chamada de atenção internacional para o sofrimento do povo da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, vítima de uma guerra que, de um modo geral, não suscita o interesse dos grandes meios de comunicação internacional. A cerimónia terá lugar no dia 15 de Setembro.

Patrícia Teixeira Santos, professora titular em História de África do Departamento de História da Universidade Federal de São Paulo, disse ao 7 Margens que este reconhecimento foi fruto de uma acção de diversas universidades e docentes brasileiros, moçambicanos, e portugueses, de autoridades religiosas de matriz africana, muçulmanas, de entidades civis e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros Universidade Estadual de Londrina. O doutoramento honoris causa foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Universitário.
“Não tenho nenhum merecimento pessoal, mas aceitei para valorizar o trabalho dos missionários”, afirmou D. Luiz Fernando Lisboa, numa entrevista concedida a Emissora Católica da Beira, que o Vatican News citou. O doutoramento, acrescentou, é uma homenagem aos missionários, especialmente a Irmã Maria de Coppi, missionária Comboniana que morreu vítima do terrorismo. Na entrevista, o prelado considerou que a distinção oferece uma oportunidade para falar de Moçambique e homenagear todos aqueles que morreram em consequência desta guerra.
“As vidas importam e este importante evento na Universidade Estadual de Londrina proclama isso”, reconhece Patrícia Teixeira Santos.
O doutoramento Honoris Causa ocorre no âmbito das primeiras Jornadas Africanas – Afluentes da Memória: Onde as Áfricas desaguam, banham e ecoam na Universidade Estadual de Londrina.
O objectivo das jornadas, que se realizam nos dias 14 e 15 de Setembro, é “fomentar a confluência de extensão, ensino, pesquisa e inovação social que se debrucem sobre as questões africanas e diaspóricas no Brasil em suas múltiplas dimensões socioculturais (históricas, religiosas, psicossociais e artísticas), de modo a desvelar tanto as violências estruturais do racismo quanto os repertórios de aprendizagem social engendrados a partir do diálogo com as ancestralidades, bem como as propostas emancipatórias formuladas por grupos e comunidades em sua luta pela justiça social”.










