AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Em 2023, 708 milhões de mulheres (com 15 anos ou mais) não trabalhavam por terem de prestar cuidados a outras pessoas. Na imagem, mulher com criança na Ucrânia. Foto © spoilt.exile from Kiev, Ukraine, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Alerta da OIT

Mais de 700 milhões de mulheres obrigadas a trabalho não remunerado

| 31/10/2024

Em 2023, 708 milhões de mulheres (com 15 anos ou mais) não trabalhavam por terem de prestar cuidados a outras pessoas. Na imagem, mulher com criança na Ucrânia. Foto © spoilt.exile from Kiev, Ukraine, CC BY-SA 2.0 , via Wikimedia Commons.

Em 2023, 708 milhões de mulheres (com 15 anos ou mais) não trabalhavam por terem de prestar cuidados a outras pessoas. Na imagem, mulher com criança na Ucrânia. Foto © spoilt.exile from Kiev, Ukraine, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

A prestação de cuidados em regime de trabalho não remunerado está a impedir mais de 700 milhões de mulheres em todo o mundo de procurarem um emprego, segundo dados divulgados esta quinta-feira, 31 de outubro, pela Organização Internacional de Trabalho (OIT), por ocasião do Dia Internacional dos Cuidados e Apoio Social.

De acordo com o boletim estatístico da OIT The impact of care responsibilities on women’s labour force participation [O impacto das responsabilidades de cuidado na participação das mulheres na força de trabalho], que trabalha dados de 125 países relativos a 2023, “as responsabilidades de prestação de cuidados constituem o principal obstáculo à entrada e permanência das mulheres no mercado de trabalho, ao passo que os homens são mais propensos a invocar outras razões pessoais para o facto de não estarem a trabalhar, tais como questões relacionadas com a educação e a saúde”.

No ano em referência, elevava-se a 748 milhões o número de pessoas (com 15 anos ou mais) que não estavam a trabalhar por terem de prestar cuidados a outras pessoas, representando um terço de todas as pessoas em idade ativa que não trabalha. Destas, 708 milhões eram mulheres e 40 milhões eram homens.

Considerando os dados segundo as diferentes regiões do mundo, concluiu-se que a situação é mais grave no Norte de África (63 por cento das mulheres fora da população ativa), seguida dos estados árabes (59 por cento). Na Ásia e no Pacífico, a percentagem é de 52 por cento, com pouca variação entre as sub-regiões. Nas Américas, a variação é acentuada, com 47 por cento a referirem os cuidados como a principal razão para estarem fora da população ativa na América Latina e nas Caraíbas, em comparação com apenas 19 por cento na América do Norte. Na Europa e na Ásia Central, 21 por cento das mulheres referem a prestação de cuidados como o principal obstáculo, com a Europa Oriental a registar a taxa mais baixa a nível mundial (11 por cento).

Esta disparidade acentuada entre homens e mulheres “evidencia o papel desproporcionado que as mulheres assumem na educação dos filhos e das filhas, na prestação de cuidados e no apoio a pessoas com deficiência e a pessoas que necessitam de cuidados continuados, na gestão doméstica e noutras responsabilidades de prestação de cuidados”, refere um comentário da OIT a estes dados.

São as mulheres com menos habilitações escolares e as que vivem em zonas rurais que encontram mais dificuldades no acesso ao trabalho remunerado, motivado pelas responsabilidades na prestação de cuidados. A estes fatores juntam-se também oportunidades de emprego limitadas, infraestruturas deficientes e sistemas inadequados de cuidados e apoio.

Sukti Dasgupta, diretora do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da OIT salienta ainda, como agravante da desproporção das mulheres envolvidas, “as expectativas e normas sociais em torno da prestação de cuidados”, as quais “restringem ainda mais” a sua inclusão no trabalho, aprofundando, por essa via, as desigualdades de género.

A Organização Internacional do Trabalho salienta que, desde 2018, muitos países “fizeram progressos para promoverem a participação das mulheres cuidadoras no trabalho, aumentando os investimentos em cuidados e educação na primeira infância”. Porém, o envelhecimento da população e as alterações climáticas poderão vir a intensificar o trabalho não remunerado de prestação de cuidados.

A OIT chama a atenção, neste contexto, para o significado que reveste a adoção, em junho último, da Resolução sobre o trabalho digno e a economia do cuidado, na Conferência Internacional do Trabalho. A Resolução afirma que “uma economia do cuidado que funcione bem não só apoia os indivíduos e as famílias, mas também contribui para uma população ativa mais saudável, cria emprego e aumenta a produtividade”. A resolução destaca ainda as “barreiras estruturais” que o trabalho não remunerado de prestação de cuidados cria para as mulheres na sua participação, retenção e progressão no mercado de trabalho.

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba

Ano jubilar-800 anos da morte (8)

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This