O Prémio Nobel da Paz de 2026 ainda não foi atribuído, mas as propostas para o de 2027 já começaram a ser apresentadas. Secundando uma proposta do filósofo Eugenio Mazzarella, o diário católico italiano Avvenire quer ver, no próximo ano, o Nobel da Paz entregue às crianças de Gaza. É que elas são o símbolo da infância violentada em todo o mundo. Um “sim” (“sì”) ou um “adiro” (“aderisco”) enviados para o e-mail petizione.gaza@avvenire.it são o modo mais simples de apoiar esta iniciativa. A contabilidade mais recente indica que 22 mil pessoas já quiseram homenagear estas vítimas inocentes da crueldade israelita.
Recordando o sofrimento destas meninas e meninos, o Avvenire lembra que, desde Outubro de 2025, num período que deveria ter sido de suspensão dos ataques israelitas, tem morrido uma criança por dia. E continuam a morrer. E as que sobrevivem, escapando à desnutrição, às doenças, à água suja, aos tratamentos inexistentes permanecem à espera do fim da violência que lhes foi prometida, assinala o Avvenire.
Foi, precisamente, em nome dessa promessa que o jornal relançou a proposta de Eugenio Mazzarella, professor de Filosofia na Universidade Federico II de Nápoles, ex-deputado do Partito Democratico, de candidatar as crianças de Gaza ao Prémio Nobel da Paz.
A proposta tem encontrado o apoio, formal ou informal, de dezenas de milhares de pessoas. O cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, afirmou recentemente a utilidade de qualquer iniciativa que ajude a chamar a atenção para o que se passa em Gaza – não sendo, mesmo assim, garantido que Israel se modere e se torne menos letal para as crianças. “Reconhecer as crianças de Gaza com o Prémio Nobel da Paz significa ainda valorizar a palavra paz”, escreveu por seu lado o padre Ibrahim Faltas, vigário da Custódia da Terra Santa, manifestando o seu apoio à iniciativa.

O cardeal Pizaballa durante uma visita à paróquia de Gaza dias antes do Natal de 2025. Foto © Patriarcado Latino de Jerusalém
O Avvenire salienta que, todos os dias, documenta o que acontece no Médio Oriente e que fala, constantemente, sobre “os direitos negados a menores onde quer que estejam no mundo. Não há apenas as crianças de Gaza entre as vítimas inocentes das guerras: há as crianças israelitas mortas na sangrenta operação do Hamas no dia 7 de Outubro de 2023 e as que morreram depois nas prisões dos terroristas. Há as crianças ucranianas e russas, há as crianças iranianas e sudanesas”. Se o Nobel promovido pelo jornal fosse concedido, reconhecer-se-ia a infância que sofre com as guerras, em todos os tempos e continentes. “Porque o que é verdade em Gaza – o sofrimento inocente, a violação do direito de cada criança a ser amada e protegida e de não se tornar um alvo indefeso do ódio e da violência por parte dos adultos – vale em todo o mundo e em qualquer época histórica”, pode ler-se no diário de inspiração católica.
“As crianças de Gaza”, escreveu o padre Ibrahim Faltas, director das escolas da Custódia da Terra Santa, numa mensagem enviada ao Avvenire, “merecem o Prémio Nobel da Paz porque são elas próprias o significado da palavra paz, porque sofreram as consequências no corpo e na mente das acções dos adultos inconscientes e irresponsáveis, porque sentiram e viram o horror da violência, porque sofreram pela morte daqueles que lhes deram a vida, porque perderam o sorriso do tempo que é o de brincar, pela falta de instrução e de frequência de dois anos de escola, porque perderam os belos anos da infância. Reconhecer o sacrifício das crianças de Gaza é um acto de verdade e justiça”. Este reconhecimento é, para o presbítero, “o sinal indelével de quem acredita firmemente na paz”.
Em Itália, a ideia de conceder o Nobel da Paz às crianças de Gaza não é nova, mas agora parece estar a recolher um apoio mais amplo. O Avvenire refere que, desde que a proposta foi apresentada no dia 8 de Agosto, tem recebido milhares e milhares de assinaturas de pessoas comuns, mas também de políticos conhecidos, de autarcas, de religiosos.
Todos os signatários “pretendem dizer ‘basta’”, afirmou Antonella Mariani, jornalista do Avvenire, onde coordenou as campanhas Nós, Afegãs e Mulheres pela Paz. Numa entrevista concedida à agência Pressenza, Mariani deu conta de perguntas que muitos formulam: “O que posso eu, apenas eu, fazer para expressar o meu não à guerra e o meu desejo de paz? Como posso exprimir o sentimento de proximidade para com as vítimas inocentes sobre as quais nem sequer ouvimos mais falar?” Para Antonella Mariani, a resposta a essas perguntas está a ser dada pela comunidade de pessoas reunidas em múltiplas iniciativas, como esta que promove a candidatura das crianças de Gaza ao Prémio Nobel da Paz. Trata-se, diz a jornalista, de “uma comunidade que não vive apenas da informação e quer participar, sentir-se participante, ‘fazer parte’”.
Quem quiser apoiar a iniciativa pode fazê-lo enviando um e-mail para petizione.gaza@avvenire.it. Escrever “sì” ou “aderisco” basta.










