Memória do Holocausto

Aristides, o padre Carreira e os outros justos que salvaram vidas homenageados em selos

| 16 Jun 21

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O bloco filatélico e os cinco selos da emissão que homenageia os salvadores do Holocausto: Aristides de Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido, Alberto Teixeira Branquinho, padre Joaquim Carreira e José Brito Mendes.

 

Na Segunda Guerra Mundial, em Bordéus, o então cônsul de Portugal nesta cidade francesa emitiu milhares de vistos a cidadãos de vários países, que tentavam fugir da França ocupada pelos nazis, em desespero, apenas por serem judeus.

A porta de saída da Europa era Portugal, mas a ditadura de Salazar exibia uma neutralidade fingida: o regime proibiu Aristides de Sousa Mendes, assim se chamava o cônsul, de emitir mais vistos e a admoestação pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e o desrespeito dessas instruções valeram-lhe na altura o afastamento da carreira diplomática – mas um lugar definitivo entre os “justos entre as nações”.

Se o cônsul de Cabanas de Viriato ficou na História, não esteve sozinho entre portugueses, como recordam agora os CTT, numa emissão de cinco selos que lembra os gestos e os nomes de Aristides de Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido, Alberto Teixeira Branquinho, padre Joaquim Carreira e José Brito Mendes. Os cinco que, de uma forma ou outra, “colocaram as suas vidas e carreiras em risco ao estenderem a mão a vítimas da perseguição nazi, na sua maioria judeus, na Alemanha e nos países ocupados, escondendo-as ou fornecendo-lhes documentos que permitiram que se salvassem”, como diz a informação divulgada pelos CTT.

Esses cinco homens são homenageados nesta emissão que é lançada nesta quinta-feira, dia 17, e à qual o 7MARGENS teve acesso em primeira mão. Cinco selos (e mais um bloco filatélico) que os apresentam como “Salvadores Portugueses”, no âmbito do Programa Nunca Esquecer – em torno da Memória do Holocausto.

Na pagela da emissão de selos, os CTT dizem tratar-se do “justo reconhecimento àqueles que devem constituir exemplo de vida, de cidadania e defesa dos Direitos Humanos”, num tempo e “num mundo que se quer democrático e solidário, isento de discriminação, intolerância e ódio”.

O padre Joaquim Carreira foi reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, e ofereceu abrigo a várias dezenas de pessoas perseguidas pelos nazis – e a sua história seria revelada mais tarde num trabalho publicado no jornal Público, da autoria de António Marujo, agora jornalista do 7MARGENS. A história teria mais tarde edição alargada em livro, com o título A Lista do Padre Carreira.

Joaquim Carreira é um dos três portugueses que foi declarado “Justo Entre as Nações”, pelo Yad Vashem – Autoridade para a Memória dos Mártires e Heróis do Holocausto, de Jerusalém. Para que isso aconteça, é necessário que uma pessoa que tenha sido salva testemunhe e descreva as circunstâncias em que foi ajudada. Aristides de Sousa Mendes e Carlos Sampaio Garrido são os outros dois.

Este último, embaixador de Portugal na Hungria, escondeu judeus na Legação de Portugal. Acabaram por ser todos presos, mas Sampaio Garrido lutou pela sua libertação mesmo depois de ter sido substituído na sua função por Alberto Teixeira Branquinho, que é também homenageado na emissão filatélica dos CTT. Encarregado de Negócios em Budapeste, Branquinho obteve permissão do Governo português para emitir 500 salvo condutos a todas as pessoas que tinham parentes em Portugal, Brasil ou, à data, nas colónias portuguesas. Emitiu 800 e procurou abrigar judeus e quem tentava dar proteção. Por fim, José Brito Mendes, emigrante português que vivia em França, e a sua mulher, Marie-Louise, de nacionalidade francesa, salvaram Cécile, uma criança judia, filha de um casal judeu vizinho, correndo grande risco de vida. José Brito Mendes está registado pelo Yad Vashem na lista dos “justos” franceses.

 

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