A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) mostrou-se disponível para colaborar numa auditoria ordenada pelo Estado ao processo interno de compensações por abusos sexuais, que está a ser pedida por uma associação de vítimas.
Numa resposta à agência Lusa, divulgada no sábado, numa notícia partilhada pelo Observador, a CEP afirma que “respeita o direito das vítimas de apresentarem às entidades do Estado as preocupações e questões que consideram pertinentes e, no respeito pelas competências das instituições, mantém total disponibilidade para prestar todos os esclarecimentos solicitados e colaborar no combate aos abusos sexuais”.
Na sexta-feira, a associação Coração Silenciado foi recebida pelo Presidente da República, a quem pediu apoio para uma auditoria do Estado ao processo de compensações.
“O senhor Presidente manifestou grande sensibilidade sobre o tema dos abusos sexuais na Igreja Católica (…) e concordou que pudesse usar a sua magistratura de influência junto dos organismos do Estado para tentar ver o que se pode fazer” em relação a uma auditoria a todo o processo, afirmou também à Lusa, na sexta-feira, o porta-voz da associação Coração Silenciado, António Grosso, após uma reunião com António José Seguro.
O comunicado da Coração Silenciado, de dez páginas, nas quais se expõe o percurso das vítimas de abusos sexuais, aponta para a revisão do processo: “Reivindicamos e apelamos, pois, perante o Senhor Presidente da República para a necessidade da reabertura e revisão de todo este processo, contrariando, conscientemente, as palavras do actual presidente da CEP, a saber: “espero que a forma como a Igreja Católica lidou com os abusos seja um exemplo a seguir pela sociedade”. NÓS ESPERAMOS QUE NÃO!”
Num documento entregue a Seguro, a associação queixa-se da falta de transparência do processo, incluído para as próprias vítimas, que não conhecem o relatório feito sobre o seu caso.
Em resposta à Lusa, a CEP reagiu às críticas da associação e recordou que o “processo de compensações financeiras às vítimas de abuso sexual no contexto da Igreja Católica em Portugal foi uma iniciativa voluntária da Igreja, com procedimentos e critérios definidos para o efeito, que foram divulgados publicamente”.










