Cardeal Tolentino também lá está

Quem são as três mulheres que o Papa nomeou para o Dicastério dos Bispos

| 13 Jul 2022

María Lía Zervino. Papa Francisco

María Lía Zervino é uma das três mulheres indicadas pelo Papa Francisco para participar no processo de escolha de bispos. Foto: Direitos reservados.

 

Afinal são três as mulheres que vão passar a integrar o Dicastério para os Bispos, cuja função é participar no processo de escolha, para cada diocese, da terna de nomes a partir da qual o Papa procede à nomeação daquele que entende ser o melhor (podendo também optar por um nome não considerado no Dicastério).

Das três nomeadas, duas são religiosas: Raffaella Petrini, das Irmãs Franciscanas da Eucaristia e secretária-geral do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, e Yvonne Reungoat, ex-superiora geral das (salesianas) Filhas de Maria Auxiliadora, a cuja congregação pertence. A terceira é Maria Lia Zervino, de nacionalidade argentina, presidente da União Mundial das Organizações de Mulheres Católicas.

Na entrevista que deu há pouco mais de uma semana ao jornalista Phillip Pullella, da agência Reuters, o Papa Francisco tinha antecipado esta participação feminina no processo das escolhas episcopais, anunciando também que vislumbrava, no futuro, a possibilidade da nomeação de leigos à frente de dicastérios como Leigos, Família e Vida, para a Cultura e para a Educação, “ou a Biblioteca, que é quase um dicastério”.

É dado como muito provável o nome do cardeal português Tolentino Mendonça para presidir ao dicastério da Educação, o que significaria que, para o substituir à frente da Biblioteca do Vaticano, poderia estar em perspetiva um leigo. Para já este cardeal português figura também na lista de nomeados como novos membros do Dicastério para os Bispos.

No conjunto dos membros nomeados, há outros nomes a ter em conta. Desde logo o do cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, Arthur Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e Paul Desmond Tighe, secretário do antigo Pontifício Conselho para a Cultura, entre vários outros.

Ainda sobre Maria Lía Zervino, esta enfermeira de profissão, que é também copresidente da organização Religions for Peace, já foi notícia no 7MARGENS ao tomar a iniciativa de escrever ao Papa uma carta aberta, por ocasião do oitavo aniversário do seu pontificado, em que lhe exprimia alguns sonhos que tinha para a Igreja, nomeadamente o de que “inaugure ao lado dos sínodos dos bispos, um sínodo diferente: o sínodo do povo de Deus, com uma representação proporcional do clero, consagrados e consagradas, e leigos”. Nesse documento, exprimiu ainda outros desejos: 

“Sonho com uma Igreja com mulheres capazes de serem juízas em todos os tribunais onde se julgam as questões matrimoniais, nas equipas de formação de cada seminário, mulheres que exerçam ministérios como a escuta, a orientação espiritual, a pastoral da saúde, o cuidado do planeta, a defesa dos direitos humanos, etc.”

Quanto a Rafaella Petrini nasceu em Roma em 1969, é cientista política e professora de Doutrina Social Cristã na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, onde obteve o doutoramento. Ingressou na Cúria vaticana como oficial da Congregação para a Evangelização dos Povos.

Yvonne Reungoat, por sua vez, é francesa e ingressou nas irmãs salesianas em 1963. Depois de ter ensinado história e geografia por alguns anos em Lyon e de ter sido responsável por várias comunidades e de ter exercido responsabilidades na ordem deixou a França e foi enviada como missionária para coordenar um novo projeto da África. Chegou a ser provincial da África Ocidental em 1991, tendo dado prioridade à educação de meninas deste continente, consideradas “as grandes excluídas do sistema educacional”, como refere o boletim de informação do Instituto Humanitas da Unisinos, citando o site Infovaticana.

 

7MARGENS vive exclusivamente do apoio dos leitores.
Inscreva-se para receber a nossa newsletterhttp://mkt.setemargens.com/w/1e2e1F80e119QyJgHCeaccdc425e!uid?egu=koguqeiih62trt12
Faça um donativohttps://setemargens.com/apoie-o-7-margens/
Escreva-nos: setemargens@setemargens.com
Sugira a uma pessoa amiga que subscreva a nossa newsletter: http://mkt.setemargens.com/w/1e2e1F80e119QyJgHCeaccdc425e!uid?egu=koguqeiih62trt12
Partilhe os nossos textos na sua página de Facebook, Instagram ou Twitter.

Irene Pimentel: “Não aprendemos com a História” e por isso devemos perceber como chegámos ao Holocausto

Dia em Memória das Vítimas assinala-se nesta sexta, 27

Irene Pimentel: “Não aprendemos com a História” e por isso devemos perceber como chegámos ao Holocausto novidade

“Está mais que provado que a História nos ensina muito pouco!” A frase pode ser desconcertante, ainda para mais vinda de uma historiadora. Neste caso, de Irene Pimentel, premiada investigadora do Instituto de História Contemporânea. Mas, então, valerá a pena continuar a estudá-la e a transmiti-la, particularmente aos mais jovens? Depois do “périplo” que já fez por inúmeras escolas secundárias do país, a propósito do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, que se assinala esta sexta-feira, 27 de janeiro, Irene Pimentel tem a certeza de que sim.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Maria Emília Brederode Santos: uma mulher de liberdade

Doutora honoris causa pelo ISPA

Maria Emília Brederode Santos: uma mulher de liberdade novidade

Maria Emília Brederode Santos é uma mulher de liberdade. Foi esta a mensagem que se destacou do discurso de elogio proferido pelo professor José Ornelas na cerimónia de atribuição do doutoramento honoris causa, pelo ISPA – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, a Maria Emília Brederode Santos. Sala cheia e muitos aplausos, para homenagear esta grande humanista com uma vida política, social e cultural intensa.

Transumanismo

Transumanismo novidade

A corrente de pensamento que se vem sendo designada como transumanismo pretende a superação de todos os limites que pode representar a natureza humana, aumentando as capacidades da espécie transformando-a em algo de distinto e superior (a ponto de, numa vertente mais radical, se transformar numa espécie distinta: o pós-humaníssimo).

Câmara de Lisboa investe 35 milhões naquilo que “é o pedido” da Igreja para a JMJ

Vice-presidente esclareceu em conferência

Câmara de Lisboa investe 35 milhões naquilo que “é o pedido” da Igreja para a JMJ

A construção das infraestruturas nos quatro espaços da cidade de Lisboa conde irão decorrer os principais momentos da Jornada Mundial da Juventude irá custar à autarquia da capital 35 milhões de euros. O vice-presidente da Câmara, Filipe Anacoreta Correia, apresentou os detalhes desse investimento numa conferência de imprensa que decorreu esta quarta-feira, 25 de janeiro, no Parque Tejo, um dia depois de o Observador ter divulgado que a construção do “altar-palco”, onde decorrerão a vigília e missa de encerramento da jornada, foi adjudicada por 4,2 milhões. O autarca, que tem o pelouro da JMJ na vereação lisboeta, garante que este palco “corresponde àquilo que é o pedido pelo promotor” da Jornada e que, face aos requisitos exigidos pela Fundação JMJ e pela Santa Sé, foi escolhida a proposta com o melhor preço.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This