Um conjunto de sete publicações de informação religiosa independentes, entre as quais o 7MARGENS, divulgam nesta manhã de segunda-feira, 7 de Julho, em simultâneo, uma carta aberta dirigida e enviada também aos governos de Portugal, Brasil, Espanha, Itália, e aos responsáveis da União Europeia, exigindo a denúncia do acordo de comércio entre União Europeia e Israel, o fim do comércio de armas com o Estado judaico, o reconhecimento do Estado da Palestina e a libertação imediata de todos os reféns em poder do Hamas.
O texto pede ainda o reconhecimento como processo de genocídio da operação do exército israelita na Faixa de Gaza e o apoio à reconstrução de “uma Palestina independente e democrática, no quadro dos dois povos, dois Estados livres e independentes”.
Apesar de estar aparentemente em conclusão um acordo de cessar-fogo, estes meios consideram que há questões de fundo que devem ser encaradas e é nessa perspectiva que se colocam. Aliás, as anteriores tréguas negociadas, nomeadamente a do início do ano, rompida por Israel com a retoma dos bombardeamentos, mostrou a fragilidade dos acordos conseguidos até agora. Por isso, consideram que deve ser feita pressão junto de Israel para que pare todas as hostilidades e dê garantias de um cessar-fogo durável, possibilidade de ajuda humanitária e estabelecimento de um Estado palestiniano livre e democrático.
Com o título “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos calar – Parar o genocídio, dar de comer aos esfomeados, construir a paz”, os profissionais das sete publicações dizem que enquanto jornalistas não lhes “basta noticiar a violência trágica que se abate sobre um povo massacrado diariamente em Gaza e espoliado e expulso das suas terras na Cisjordânia”; e que, enquanto crentes não se podem “resignar ao silêncio”. Pelo contrário, juntam a sua às vozes que dizem que “há outra solução” e que “israelitas e palestinos podem viver lado a lado em paz”, cumprindo as resoluções das Nações Unidas.
“Um cessar-fogo imediato e durável; a libertação imediata dos reféns em poder do Hamas; restabelecer a ajuda humanitária em segurança; iniciar negociações com vista à paz justa na região; exigir o acesso livre dos media aos territórios da Palestina; criar condições para a reconstrução da Palestina à luz do direito internacional e numa base democrática”, são medidas sugeridas pelas publicações signatárias: 7MARGENS (Portugal), Instituto Humanitas Unisinos – IHU (Brasil), Catalunya Religió, Flama e Religión Digital (Espanha), Adista e Rocca (Itália).
O apelo dirige-se aos responsáveis políticos e a “todos os cidadãos e cidadãs, crentes e não crentes, bem como às igrejas e diferentes comunidades religiosas e aos seus responsáveis”, acrescenta o documento. “É tempo de quebrar o silêncio cúmplice e agir! Hoje, ao contrário do que se passou no início da década de quarenta do século passado no nosso continente, hoje vemos, ouvimos e lemos notícias do genocídio. Não podemos calar.”
Do texto, está a ser dado conhecimento também a responsáveis do Vaticano e do Conselho Mundial de Igrejas, apelando a que essas instâncias denunciem também a situação “e exerçam toda a sua influência para a consecução da paz, incluindo oferecendo-se como mediadores”.
É o seguinte o texto integral do documento:
CARTA ABERTA de publicações de informação religiosa aos governos e à União Europeia, sobre a tragédia de Gaza
VEMOS, OUVIMOS E LEMOS – NÃO PODEMOS CALAR
Parar o genocídio, dar de comer aos esfomeados, construir a paz

Mulheres em Gaza fazem fila num ponto de distribuição de alimentos. Foto © UNRWA.
Nós, diretores e jornalistas dos media abaixo referidos, erguemos a nossa voz para exigir aos governos dos nossos países e os responsáveis políticos da União Europeia que:
cessem o comércio de armas com Israel
reconheçam o Estado da Palestina,
denunciem o acordo de comércio União Europeia-Israel
garantam a libertação imediata de todos os reféns em poder do Hamas
reconheçam como processo de genocídio a operação do exército israelita em Gaza
e apoiem a reconstrução de uma Palestina independente e democrática, no marco dos “dois povos, dois Estados livres e independentes”.
Nesta hora crítica não podemos ficar silenciosos. Como jornalistas, não nos basta noticiar a violência trágica que se abate sobre um povo massacrado diariamente em Gaza e espoliado e expulso das suas terras na Cisjordânia. Não nos basta escrever editoriais e opinar sobre a bestialidade desumana que se desenrola em Gaza.
Como crentes não nos podemos resignar ao silêncio. Calar-nos é aceitar que a única solução para o conflito é o extermínio do povo palestino e a anexação da Faixa de Gaza pelo Estado de Israel. Como crentes juntamos o nosso grito de esperança para dizer: há outra solução! Israelitas e palestinos podem viver lado a lado em paz, dois povos, dois Estados! Para tal basta cumprir as resoluções das Nações Unidas.
É preciso um cessar-fogo imediato e durável; a libertação imediata dos reféns em poder do Hamas; restabelecer a ajuda humanitária em segurança; iniciar negociações com vista à paz justa na região; exigir o acesso livre dos media aos territórios da Palestina; criar condições para a reconstrução da Palestina à luz do direito internacional e numa base democrática.
O nosso apelo dirige-se em primeira instância aos responsáveis políticos dos países da União Europeia e da própria União, mas também a todos os cidadãos e cidadãs europeus, crentes e não crentes, bem como às igrejas e diferentes comunidades religiosas e aos seus responsáveis. É tempo de quebrar o silêncio cúmplice e agir! Hoje, ao contrário do que se passou no início da década de quarenta do século passado no nosso continente, hoje vemos, ouvimos e lemos notícias do genocídio. Não podemos calar.

Papa Leão XIV, a Igreja Católica e o Conselho Mundial de Igrejas, em particular, devem denunciar a situação e exercer toda a sua influência para a consecução da paz, incluindo oferecendo-se como mediadores. Foto © Vatican Media
Uma vez que na maior parte dos casos somos meios de informação religiosa, apelamos também à hierarquia católica e ao Papa Leão para que o Papa Leão, a Igreja Católica e o Conselho Mundial de Igrejas, em particular, denunciem a situação e exerçam toda a sua influência para a consecução da paz, incluindo oferecendo-se como mediadores.
Ao assinarmos este manifesto comprometemo-nos a acolher e noticiar as iniciativas lançadas pelos nossos concidadãos contra o genocídio em Gaza e a favor da paz entre aqueles povos.
7Margens (Portugal – setemargens.com) – jornal online de informação sobre religiões, espiritualidades, cultura e direitos humanos.
Adista (Italia – adista.it) – semanário independente de informação religiosa e política.
Catalunya Religiò (España – catalunyareligio.cat/ca) – Informativo independiente de actualidade religiosa publicado con o apoio de várias entidades religiosas.
Flama (España – agenciaflama.cat) – Agência cristã de notícias.
Instituto Humanitas Unisinos – IHU (Brasil – ihu.unisinos.br/) – site de reflexões inter/transdisciplinares sobre sociedade sustentável, ética, teologia pública, mulheres sujeitos socioculturais e trabalho.
Religión Digital (España – religiondigital.org) – Portal de informação sócio-religiosa em espanhol para Espanha e América desde há 27 anos.
Rocca (Italia – rocca.cittadella.org) – Revista pela paz, direitos humanos, democracia, não-violência e justiça.










