Um jovem de 30 anos pertencente à comunidade religiosa bahá’í encontra-se detido na Prisão de Kerman, no leste do Irão, e enfrenta a ameaça iminente de execução após ter sido submetido a métodos severos de tortura, incluindo dois enforcamentos simulados.
A denúncia é feita pela Comunidade Internacional Bahá’í (BIC, na sigla em inglês), em comunicado enviado ao 7MARGENS. A organização alerta para a tentativa das autoridades iranianas de extraírem confissões forçadas por crimes que o jovem não cometeu, no âmbito de uma “campanha de perseguição sistemática” que utiliza membros desta comunidade como bodes expiatórios em momentos de instabilidade política.
A cronologia dos factos evidencia graves irregularidades processuais, a começar pela detenção de Naimi na manhã de 8 de janeiro sob a acusação de instigar distúrbios em protestos nacionais. Uma primeira confissão foi lida pelo jovem “sob forte coação” e transmitida na televisão estatal a 1 de fevereiro. O cenário agravou-se quando as autoridades o acusaram da morte de três agentes de segurança Basij num ataque ocorrido na noite da sua detenção, altura em que o jovem já se encontrava sob custódia oficial, o que torna a acusação materialmente impossível.
Os relatos de maus-tratos detalham um período de dez dias, em meados de março, em que Naimi foi privado de comida e água, espancado repetidamente com extremidades amarradas e alvo de insultos às suas crenças religiosas. De acordo com a BIC, o trauma psicológico atingiu o seu expoente máximo com os enforcamentos simulados — uma prática proibida pelo direito internacional — onde, num dos episódios, o suporte sob os seus pés foi quase retirado. Somam-se a isto punições por alegadamente celebrar a morte do antigo líder supremo Ali Khamenei, um evento que o prisioneiro não teria forma de conhecer por estar em total isolamento e sem acesso a meios de comunicação.
Atualmente em isolamento, o estado de saúde de Peyvand Naimi é crítico, apresentando tiques oculares involuntários e perturbações gastrointestinais, enquanto os funcionários da prisão continuam a negar-lhe assistência médica. Simin Fahandej, representante da Comunidade Internacional Bahá’í junto da ONU, reforça que não existe qualquer prova contra o jovem e que este tratamento cruel serve apenas para usar os bahá’ís como bodes expiatórios em momentos de crise nacional.

Atualmente em isolamento, o estado de saúde de Peyvand Naimi é crítico. Foto: Direitos reservados
“O Sr. Naimi está a ser torturado e até submetido a execuções simuladas para confessar crimes que não cometeu”, denunciou a representante da Comunidade Internacional Bahá’í junto da ONU em Genebra. “A República Islâmica não tem um único fragmento de prova para estas acusações. Se tivesse, não precisaria de recorrer à tortura para extrair uma falsa confissão. Há apenas uma razão para este tratamento cruel: Peyvand é bahá’í. É a mesma razão pela qual o governo iraniano tem perseguido e discriminado uma comunidade inteira e inocente durante quase cinco décadas”, acrescentou.
A comunidade internacional é agora instada a agir rapidamente para exigir que o Irão ponha fim a esta perseguição e liberte o jovem, sobre o qual ainda não recaiu qualquer julgamento formal ou sentença fundamentada em provas reais.










