“É muito possível que as negociações fracassem devido à resistência de um ou de ambos os lados, e que nosso presidente retome essa guerra imoral. Nesse momento crítico, como discípulos de Jesus Cristo chamados a ser pacificadores no mundo, devemos responder em voz alta e em uníssono: Não. Não em nosso nome. Não neste momento. Não com o nosso país.”
As palavras, bem vincadas, encerraram a homilia do arcebispo de Washington (Estados Unidos), cardeal Robert McElroy, na missa da Vigília pela Paz, neste sábado, dia 11. E as centenas de pessoas que enchiam a catedral de São Mateus Apóstolo, responderam com uma expressiva e prolongada salva de palmas. Nesse momento, ainda se desconhecia que a delegação oficial dos Estados Unidos havia decidido abandonar as conversações de paz, no Paquistão.
A proposta do cardeal, de que todos os cristãos são chamados a ser “pacificadores no mundo em que vivem”, foi apresentada como “uma responsabilidade” de todos quantos acreditam na Ressurreição. E deverá, segundo ele, ser concretizada a quatro níveis, que especificou:
- “Somos chamados, em primeiro lugar, a construir a paz dentro dos nossos corações e almas, recusando-nos a ceder aos impulsos da raiva, do julgamento e do egoísmo que podem tão facilmente distorcer nossas vidas e obscurecer a luz da Ressurreição;
- “Somos chamados a construir pontes e a promover a reconciliação na nossa vida familiar, superando as tensões normais que foram exacerbadas pelo isolamento social e pela sufocação tecnológica que proliferaram na era em que vivemos;
- “Somos chamados a ser pacificadores nesta nação [os EUA] que tanto amamos, recusando-nos a permitir que o cancro da polarização engula os sonhos mais nobres de nossos fundadores, justamente neste ano em que celebramos o nosso 250º aniversário como país;
- “Finalmente, devemos ser construtores da paz entre as nações, rejeitando o caminho da guerra que nos conduz ao fim das civilizações e à busca da dominação em vez da verdadeira paz”.
Sobre esta última frente, a da paz entre as nações, que era a que estava mais em foco na vigília deste sábado, convocada pelo Papa Leão XIV, o arcebispo de Washington foi direto ao assunto:
“Estamos no meio de uma guerra imoral. Entramos nesta guerra não por necessidade, mas por escolha. Falhamos em buscar afincadamente o caminho da negociação até o fim, antes de recorrer à guerra”, apontando também a sucessão e confusão de motivos invocados para a fazer. A destruição global que resultou dos ataques levou à expansão da guerra muito além do Irão, a rutura da economia mundial e a perda de vidas.
“Cada uma destas falhas políticas é igualmente uma falha moral que, segundo os princípios católicos da guerra justa, torna tanto o início desta guerra como qualquer continuação dela moralmente ilegítimas”, enfatizou McElroy.
“O único caminho que o ensinamento católico permite neste momento é a cessação permanente das hostilidades e medidas enérgicas para construir as condições para uma paz duradoura”, acentuou o cardeal, citando o Papa, não sem reconhecer também “a natureza bárbara do regime iraniano”.
O cardeal instou todos a rezar para que Deus, “o Príncipe da Paz, abra as mentes e os corações de todos aqueles que detêm o poder, para que olhem além de seus próprios interesses e enxerguem plenamente o bem-estar de todos os que estão presos neste conflito amargo e desnecessário”.
Mas “não basta dizer que oramos; precisamos também de agir”, observou, sugerindo o dever de defender a paz “junto dos nossos representantes e líderes”, para que não se retome esta “guerra imoral”.










