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Parte dos participantes da assembleia da Federação das Conferências dos Bispos da Ásia. Foto: Direitos reservados, via Asia News.

Mensagem dos bispos asiáticos

Igreja quer ser construtora de pontes, libertar-se do clericalismo e caminhar com os pobres

| 27/07/2026

A Igreja Católica na Ásia “é chamada a ser uma ponte e uma construtora de pontes através de uma conversão sinodal contínua, abraçando a rica diversidade das culturas e povos” do continente, terá de vencer “o desafio persistente do clericalismo”, “caminhar ao lado dos pobres e vulneráveis” e “atender ao apelo urgente à conversão ecológica”, lê-se no documento final da 12ª assembleia plenária da Federação das Conferências dos Bispos da Ásia (FABC, da sigla em inglês), que decorreu em Jacarta de 20 a 26 de julho.

A assembleia é o encontro regional mais importante da hierarquia católica na Ásia e desta vez reuniu sob o tema “O apelo à conversão sinodal e a missão de ser pontes e construtores de pontes na Ásia”, contou com a presença de 150 cardeais, bispos e delegados das Igrejas de 29 países asiáticos, delegados convidados da África, Europa, Américas e Oceânia e escutou palestras do teólogo tcheco Tomáš Halík e da teóloga malaia Choong Pui Yee.

Na mensagem final assinada em nome da assembleia pelo presidente da FABC, o cardeal Filipe Neri Ferrão, arcebispo de Goa e Damão, sublinha-se que “durante estes dias de oração, escuta, silêncio e conversações no Espírito” todos os participantes experimentaram “mais uma vez, que a sinodalidade não é apenas um método para trabalhar em conjunto; é, acima de tudo, um caminho de conversão orientado para a missão”.

A assembleia, que se desdobrou em sessões plenárias, debates regionais e painéis sobre “liderança sinodal e prática pastoral”, analisou também “as principais questões económicas, culturais, sociais e políticas que a Ásia enfrenta atualmente – incluindo a pobreza, a justiça social, as migrações e as mudanças climáticas”.

Os desafios que o continente enfrenta – “a polarização, o colapso das instituições globais, a cultura do poder, as rápidas mudanças tecnológicas, a migração, a degradação ecológica, a redução dos espaços democráticos e o fosso crescente das desigualdades sociais e económicas” – não foram vistos apenas como obstáculos a superar. Pelo contrário, no texto final, são reconhecidos como “oportunidades para um testemunho missionário renovado, convidando a Igreja a encarnar o Evangelho de forma mais autêntica através da educação, do diálogo inter-religioso, da hospitalidade, do cuidado com a casa comum e de um compromisso mais profundo com a dignidade humana e a solidariedade”.

Por outro lado, “o desafio persistente do clericalismo” foi visto como algo que “pode dificultar a comunhão, a participação e a corresponsabilidade de todos os batizados”, perante o qual é exigida”.

 

Compromisso de caminhar juntos

Ao tematizar o apelo sentido de que a Igreja Católica é chamada a ser ponte, os prelados escreveram na declaração final: “Somos chamados a ser pontes e a ser construtores de pontes: pontes de confiança e diálogo onde outros erguem muros de suspeita; pontes de paz onde a violência e o conflito dividem comunidades; pontes de compaixão onde os pobres, os vulneráveis ​​e os excluídos anseiam por dignidade; e pontes de esperança para os jovens que buscam sentido no meio de rápidas mudanças sociais e tecnológicas, da fragmentação global e da crise ecológica que ameaça a nossa casa comum.”

Os participantes não quiseram terminar a sua mensagem sem renovar o seu “compromisso em caminhar juntos – ecumenicamente, como uma Igreja sinodal e missionária – ao lado das religiões e culturas que nos cercam, reconhecendo-as como companheiras de peregrinação na busca pela verdade, justiça, paz e pelo cuidado com a casa comum”.

Na sessão de encerramento, foram apresentadas aos participantes da assembleia as linhas gerais de um Vademécum sobre as prioridades pastorais para as Igrejas da Ásia que continuará a ser desenvolvido após a assembleia de Jacarta, por meio de novas consultas, e a versão final será publicada no próximo ano. O documento visa orientar o caminho das Igrejas locais nos próximos anos e foi apresentado como “uma ferramenta prática para ajudar as Igrejas locais a traduzir em ações pastorais a visão surgida na assembleia, oferecendo orientações operacionais a bispos, padres, religiosos e leigos sobre como vivenciar a sinodalidade em seus respetivos contextos”.

No final da missa de encerramento da assembleia os participantes percorreram o “Túnel da Amizade” – que liga a catedral à mesquita e foi também visitado pelo Papa Francisco durante sua histórica viagem em 2024 – como um sinal do desejo das Igrejas Católicas asiáticas de servirem de ponte para todos os povos e religiões presentes nos seus respetivos países”.

 

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