O percurso e as causas da vida de Manuela Silva, “uma mulher cuja história constitui um importante ponto de partida para a reflexão sobre o catolicismo português na sociedade contemporânea”, mas que teve também grande impacto no ensino da economia e no estudo da pobreza em Portugal, vão ser evocados através de um colóquio e de uma mostra documental abertos ao público sem necessidade de inscrição prévia. Ambas as iniciativas terão lugar na Biblioteca da Universidade Católica, em Lisboa, a partir das 17h00 do dia 13 de novembro.
“Manuela Silva: uma vida, muitas causas” é o título da iniciativa que “pretende dar a conhecer diferentes dimensões da sua trajetória, recuperando memórias, testemunhos e documentos que permitam compreender não apenas o seu percurso pessoal, mas também a sua atividade social, política, académica e eclesial”.
O colóquio é moderado pelo jornalista Jorge Wemans (editor do 7MARGENS), e nele participam António Matos Ferreira, Carlos Farinha Rodrigues, Céu Tostão, Fernanda Henriques, Lúcia Serralheiro e Viriato Soromenho Marques, “num diálogo que cruza diferentes experiências e perspetivas em vista a desenhar uma leitura plural do seu percurso, refletir sobre o impacto da sua ação e analisar a relevância das causas que defendeu”.
A mostra documental, assim como o colóquio, é organizada pelo Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa. instituição responsável pela custódia, tratamento e valorização do arquivo pessoal de Manuela Silva, com o apoio da Fundação Betânia e de Maria Eduarda Ribeiro, Rita Veiga, Miguel Veiga e Pedro Silva Rei, que reuniram a documentação que Manuela Silva conservou consigo depois de ter entregado a maior parte do seu espólio ao Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra. A mostra estará aberta ao público até 13 de dezembro, aos dias de semana das 8h00 às 21h00 e ao sábado das 9h00 às 13h00. Aos domingos a mostra estará encerrada.
Manuela Silva [1932-2019] foi a primeira mulher licenciada em Economia em Portugal, lecionou no ISEG (1970–1991), foi secretária de Estado para o Planeamento no I Governo Constitucional (1976–1977) e destacou-se nos estudos sobre a pobreza e as desigualdades sociais. Desenvolveu uma intensa atividade em vários outros campos, nomeadamente em movimentos e órgãos da Igreja, quer em Portugal quer a nível internacional. Participou no movimento internacional de mulheres católicas Graal, presidiu ao Movimento Internacional dos Intelectuais Católicos (Pax Romana) entre 1983 e 1987 e foi também presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz entre 2006 e 2008.
Nos anos 1980 coordenou, juntamente com o economista Alfredo Bruto da Costa, alguns dos primeiros estudos científicos sobre a pobreza em Portugal. Em 1990, fundou a Fundação Betânia, dedicada à reflexão cultural e espiritual e à promoção do diálogo social. Autora de vários livros que cobrem quase todas as questões a que dedicou a sua vida, Manuela Silva respondeu aos desafios colocados pela encíclica Laudato si’ do Papa Francisco lançando a criação da rede Cuidar da Casa Comum que ainda hoje se mantém ativa.










