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Papa Leão XIV saúda os fiéis antes da audiência geral da semana passada. Foto Vatican Media
O Papa Leão XIV saúda os fiéis antes da audiência geral da semana passada. Foto © Vatican Media

Por correio

Papa vota nas eleições americanas de 3 de novembro

| 30/10/2026

O Papa participará nas eleições americanas de 3 de novembro através do voto que enviou por correio a partir do Vaticano para o Estado do Illinois. No Illinois estará em disputa um lugar para o Senado, 17 lugares para a Câmara dos Representantes e a escolha do governador do Estado, bem como outras eleições judiciais e locais no Condado de Will, circunscrição da cidade de Chicago em que Robert Francis Prevost está recenseado, mais precisamente em New Lenox, na casa de seu irmão. O Papa solicitou a cédula de voto no dia 3 de outubro. É muito raro conhecer-se a participação eleitoral dos Pontífices romanos.

“O nome de Robert Francis Prevost consta na lista de pessoas que solicitaram o voto por correio para a próxima eleição”, disse ao Chicago Sun-Times Kim Fladhammer, chefe de gabinete do cartório eleitoral do Condado de Will. Num Estado que vota maioritariamente no Partido Democrata, os registos mostram – segundo a investigação da jornalista daquele jornal Tina Sfondeles – que Prevost votou nas primárias democratas de 2008 e 2010 e nas primárias republicanas de 2012, 2014 e 2016, bem como nas eleições gerais de 2012, 2014, 2018 e 2024. Mais recentemente, o Papa não participou nas primárias de março.

As primárias são votações nas quais os militantes, simpatizantes e outros eleitores escolhem o candidato do partido da sua preferência ao escrutínio seguinte. No Estado do Illinois, os eleitores não precisam de se inscrever neste ou naquele partido e podem escolher livremente em qual deles desejam participar nas eleições primárias. Os registos mostram que, enquanto padre, Prevost escolheu participar nas primárias democratas, mas desde que foi ordenado bispo (2014), preferiu intervir na escolha dos candidatos republicanos. Mesmo depois de ter sido nomeado bispo da diocese de Chiclayo, no Peru, e depois cardeal, nunca faltou ao voto em eleições gerais. Mas, enquanto Papa, deixou de participar em qualquer uma das eleições primárias.

Horas após a divulgação da notícia pelo Chicago Sun-Times, a Sala de Imprensa da Santa Sé confirmou o facto num comunicado emitido no dia 30 de outubro. Além disso, esclareceu que o Papa exerceu o seu direito de voto sempre que pôde, tanto nos Estados Unidos como no Peru. “O Santo Padre expressa a sua convicção quanto ao direito e ao dever dos cidadãos de participarem dos processos democráticos”, afirmou o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni.

 

Voto anti-Trump?

Sendo conhecidas, quer as várias provocações do Presidente Trump a Leão XIV quer a clara oposição do Papa a diversas políticas e decisões da atual Administração americana, é grande a especulação de que votará no Partido Democrata. Contudo, o voto de Prevost não será assim tão decisivo num Estado em que o Governador democrata é recandidato e tudo indica será reeleito por larga margem. Também Juliana Stratton, do Partido Democrático, tem enorme vantagem nas sondagens sobre Don Tracy, do Partido Republicano, na corrida a ocupar uma das 35 cadeiras do Senado em disputa. O outro lugar de senador pelo Estado do Illinois não está este ano sujeito a votação e pertence, desde 2016, à democrata Tammy Duckworth.

Para a corrida aos 17 lugares na Câmara dos Representantes a que o Estado do Illinois tem direito, o voto de Prevost tem lugar num círculo que desde há décadas elege um deputado do Partido Democrata. Em 2018, o Illinois tinha direito a 18 deputados e elegeu 13 democratas e cinco republicanos, resultado que repetiria em 2020. Já reduzido a 17 deputados, em 2024 enviou ao Congresso 14 democratas e três republicanos. Também nas eleições presidenciais desse mesmo ano, no contexto da esmagadora vitória de Donald Trump, o Estado do Illinois deu a vitória a Kamala Harris com 11 pontos percentuais à frente do candidato republicano.

Esta não é a primeira vez que surgem informações sobre o Papa e o processo eleitoral, recorda a Vida Nueva Digital de 30 de outubro. Nas eleições regionais e municipais realizadas no dia 4 de outubro deste ano no Peru, o nome de Prevost constava das listas de eleitores da cidade de Chiclayo. As notícias divulgadas a esse propósito levaram o Registro Nacional de Identificação e Estado Civil peruano a explicar que isso decorre do facto de ele manter nacionalidade peruana.

Recorde-se que a Constituição peruana trata o voto tanto como um direito quanto como uma obrigação legal, prevendo, inclusive, a aplicação de multas aos cidadãos que não compareçam aos atos eleitorais. Porém, Leão XIV, apesar de estar registado como eleitor e de ter uma seção de voto atribuída, não estava obrigado a participar naquelas eleições por, à data, ter já completado os 70 anos, idade a partir da qual a lei estabelece que o voto deixa de ser obrigatório e passa a ser facultativo.

 

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