
Cortejo em frente à Basílica dos Arautos do Evangelho, em Caieiras, São Paulo. Foto retirada do perfil da instituição na rede Twitter.
Denúncias de humilhações, tortura, assédio e violação por parte de membros dos Arautos do Evangelho levaram uma juíza de São Paulo, Brasil, a determinar que crianças a frequentar as escolas da instituição em regime de internato regressem até 1 de julho próximo para as suas casas, e a proibir novas admissões neste regime, avançou a TV Globo esta terça-feira, 12 de abril.
As queixas incidiram especificamente sobre a sede dos Arautos, situada em Caieiras, município de São Paulo, e foram reveladas em reportagens emitidas pela TV Globo, em outubro de 2019, as quais provocaram a investigação.
A juíza que julgou o caso considera que nesta instituição “os pais representam um perigo e são até considerados inimigos, por desviarem os filhos dos caminhos religiosos”. De facto, depoimentos de pais que retiraram os seus filhos de escolas dos Arautos nos últimos anos referiram que esses filhos “não eram mais os mesmos”, queixando-se de agressividade, ofensas, menosprezo de tudo o que não fosse associado aos Arautos.
A Associação Arautos do Evangelho surgiu em 1999, da rutura com outra instituição designada Tradição, Família e Propriedade (TFP), por iniciativa de monsenhor João Clá Dias, e tem 15 colégios no Brasil, com cerca de 700 alunos no total. Foi reconhecida pelo Vaticano em 2001.
O Vaticano interveio em 2021 junto dos Arautos, no sentido de acabarem com as escolas em regime de internato, precisamente pelas denúncias que vieram a público.
Numa nota a propósito da notícia da Globo, e embora nunca se refira explicitamente à alegada decisão da juíza, os Arautos lamentam que a imprensa tenha sido “informada antes mesmo dos próprios interessados e dos Arautos acerca da existência de tal processo e decisão, que aparentemente tramita em segredo de justiça, o que indica uma forte intenção sensacionalista em toda essa ação e uma possível violação de sigilo“.
No comunicado, os Arautos consideram estar perante “acusações persecutórias que lhes fazem e têm confiança de que uma decisão de tal magnitude não se manterá incólume, quando forem devidamente esclarecidos” os factos perante o poder judicial. O processo permitirá, estabelecer a verdade ouvindo “colaboradores, integrantes, professores e estudantes”, o que não aconteceu agora com as notícias veiculadas, consideram ainda.










