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Uma mulher reza na Igreja Metodista de Hyderabad, India. Foto © Paul JeffreyLife on Earth

Confrontos entre grupos tribais

Líderes religiosos condenam violência étnica no nordeste da Índia

| 09/05/2023

Uma mulher reza na Igreja Metodista de Hyderabad, India. Foto © Paul JeffreyLife on Earth

Uma mulher reza na Igreja Metodista de Hyderabad, Índia. Foto © Paul Jeffrey/Life on Earth.

 

O Presidente da Conferência Episcopal da Índia, Andrews Thazhath, está a pedir a todos os bispos que organizem grupos de oração em paróquias e instituições religiosas pela paz no estado de Manipur, no nordeste do país, e instou o governo a tomar as medidas necessárias para acabar com a violência vivida na última semana. O secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) apelou esta terça-feira, 9 de maio, à “justiça e reconciliação”, defendendo que só estas “podem trazer uma paz duradoura”.

A violência em Manipur – região ligada ao resto do país por um estreito corredor terrestre – começou na última quarta-feira, 3 de maio, quando grupos tribais protestaram contra a perspetiva de a comunidade Meitei, o maior grupo étnico individual em Manipur, ser reconhecida como uma “Scheduled Tribe” (classificação oficial do governo que, segundo a lei indiana, dá às tribos que se enquadram nessa designação quotas para empregos no governo ou na universidade como uma forma de enfrentar a desigualdade estrutural histórica e a discriminação).

Os confrontos provocaram mais de 54 mortes, e cerca de 23 mil pessoas fugiram desta região, tendo o exército sido mobilizado, o toque de recolher imposto para controlar a situação e o acesso à internet suspenso.

“A Igreja Católica está muito preocupada com o povo de Manipur, independentemente de a que tribo ou comunidade pertença”, declarou a Conferência dos Bispos Católicos da Índia (CBCI), em comunicado citado esta segunda-feira, 8 de maio, no site Gaudium Press. “É altamente condenável que o povo do estado se tenha dividido, atacando um ao outro e incendiando instituições, casas e locais religiosos”.

O arcebispo Andrews Thazhath, de Trichur, afirmou: “Peço a todos os bispos que divulguem esta mensagem para organizar grupos de oração em paróquias e instituições religiosas pela paz no estado e para que as partes em conflito entrem em diálogo e reconstruam Manipur como o agradável lugar de paz que era”.

“Seja qual for a razão que levou ao conflito, medidas imediatas devem ser tomadas pelo governo central para acabar com a tensão e a perda de vidas”, sublinhou por seu lado o presidente do Conselho de Bispos Católicos de Kerala, cardeal Baselios Cleemis. “Peço às autoridades que conduzam uma investigação completa sobre estes ataques e levem os autores à justiça”, acrescentou.

Também Jerry Pillay secretário-geral do CMI, divulgou um comunicado dizendo que o organismo que representa “apela a todas as partes para que se abstenham de novos ataques e solicita que as autoridades tomem medidas não violentas apropriadas para restaurar a paz e a normalidade”.

“A paz sustentável é, no entanto, muito mais do que a mera ausência de violência e, em última análise, apenas a justiça e a reconciliação podem trazer uma paz duradoura”, alertou.

Há muitos anos que as tensões étnicas e religiosas afetam a região de Manipur. Os Hindus Meiteis constituem a maioria da população do Estado, mas ocupam uma pequena percentagem do território, principalmente na planície, onde se concentram as infra-estruturas e serviços governamentais. No entanto, as minorias tribais (Nagas, Kukis, Zomis e outros), principalmente cristãos, são uma minoria demográfica, mas ocupam um território muito maior, principalmente o terreno montanhoso onde faltam serviços governamentais.

 

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