
Coro a interpretar o Hino do Congresso, numa captura de imagem do vídeo.
É da autoria de Carlos Poças Falcão, um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, o Hino do 5.º Congresso Eucarístico Nacional, intitulado “No Pão partido que partilhamos”, cuja música foi composta por Eurico Carrapatoso, um dos nomes destacados na criação de música contemporânea (sacra, sinfónica, coral e óperas), que venceu no final de 2021 aquele que é considerado o maior Prémio de Composição atribuído em Portugal e o único que distingue a carreira e a obra de um compositor português), o Prémio DSCH – Schostakovich Ensemble.
Carlos Poças Falcão é, com Vitorino Nemésio, Ruy Cinatti, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarría, José Bento, Ruy Belo, Cristovam Pavia, Pedro Tamen, Armando Silva Carvalho, Adília Lopes e Daniel Faria, um dos autores incluídos em Verbo. Deus como interrogação na poesia portuguesa, uma antologia organizada por José Tolentino Mendonça e Pedro Mexia e editada pela Assírio & Alvim. A poesia de Carlos Poças Falcão encontra-se reunida em Arte Nenhuma, obra editada pela editora Língua Morta e livraria Snob em 2020. O 7MARGENS reproduz a seguir o poema de Carlos Poças Falcão:
No Pão partido que partilhamos
reconhecemos a presença do Senhor
e exultamos na esperança do Reino.
Sabemos da alegria anterior à alegria,
provamos que o Pão faz a seara e que a luz
concebe em nós a lâmpada.
Sabemos que o sal
é anterior ao mar e que a Palavra estava antes
de haver sopro. Olhamos com espanto para a Face,
pois ela é a paisagem que está antes da paisagem,
semente luminosa no escuro do seu fruto.
Conter já não podemos a alegria por mais tempo,
o júbilo da graça, o testemunho do amor,
encontro que nos acha quando ainda procuramos.
Que assim é a alegria: a de nada possuirmos
senão por esse bem, por essa dádiva primeira
que é Pão primordial e alimento para sempre.
Tomando, abençoando, todo Ele se reparte
e assim nos dá a vida e faz seara e cria lâmpada
e quer-nos vinculados à partilha e à esperança,
memórias do Seu gesto e presenças do Seu rosto,
por receção do Alto, na urgente obediência
de amar até ao fim, pelo concreto e pelo duro
das bem-aventuranças, pela perda que nos salva,
em comunhão de irmãos no Corpo e Sangue de Jesus.










