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Deslocados cabo delgado. Foto @ Fundação AIS

Desde há quase dez anos

Ações de terror em Cabo Delgado: um milhão de deslocados e seis mil mortos

| 10/07/2026

 

Comissões Justiça e Paz nacional e diocesanas alertam para a tragédia humanitária que se abateu sobre a população de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, e apelam à sociedade civil portuguesa, aos governos e empresas para que atuem no sentido de pôr fim ao sofrimento daquele povo, que se arrasta há quase uma década.

O retrato quantitativo da tragédia apoiado no relato de situação feito pelo bispo de Pemba, António Juliasse, não deixa margem para dúvidas: “mais de um milhão as pessoas deslocadas; mais de 6.000 que foram mortas, muitas delas assassinadas por decapitação; e cerca de 120 igrejas e capelas destruídas”.

Esta informação e denúncia acaba de ser tornada pública num comunicado subscrito pela Comissão Nacional Justiça e Paz, mais 12 comissões diocesanas de Justiça e Paz e ainda a comissão homóloga dos institutos religiosos de Portugal. Numa iniciativa invulgar, todas estas entidades juntaram-se para chamar a atenção da sociedade portuguesa para a “dramática situação” que há tanto tempo vem vitimando a população de Cabo Delgado.

De acordo com a tomada de posição, as ações terroristas naquela região têm por detrás “uma ideologia radical que invoca o islamismo e que atinge em particular os cristãos, mas também a população em geral”. Adolescentes e jovens que se sentem sem perspetivas de futuro são atraídos por essa ideologia, observa o texto das entidades.

O caminho para contrariar eficazmente tal ideologia seria “o diálogo e a colaboração entre diferentes comunidades religiosas (…), e atividades comuns de educação das jovens gerações para a paz”. Esse caminho terá de envolver também as comunidades muçulmanas que consideram aquela ideologia como sendo deturpação do Islão.

O comunicado denuncia ainda as empresas multinacionais que exploram as riquezas da região, salientando que os investimentos que elas fazem pouco têm beneficiado as populações locais, estando, por outro lado, mais preocupadas em salvaguardar a sua própria segurança do que em proteger os habitantes da região. Por outro lado, há também elementos das forças militares deslocadas para o terreno que cometem abusos sobre as pessoas, em lugar de cumprirem a missão que lhes cabe.

Conscientes da complexidade que caracteriza a situação em Cabo Delgado, as comissões Justiça e Paz dirigem vários apelos:

  • À sociedade civil, para que colabore no sempre necessário apoio humanitário;
  •  Aos órgãos de comunicação social, para que não deixem de relatar e cair no esquecimento a dramática situação atual;
  • Às empresas que operam na região e governos que as possam influenciar e às instâncias políticas moçambicanas, portuguesas e europeias, para que em todas as suas decisões “coloquem o bem do povo de Cabo Delgado acima de quaisquer interesses políticos ou económicos, para que não continue o sofrimento deste povo, que já muito tem sofrido”.

 

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