“Em minha opinião, padres casados seriam um enriquecimento para a Igreja. Vejo isso nas Igrejas Orientais. No contexto do sínodo de 2023, nós, bispos belgas, declaramos claramente, no documento que enviamos a Roma, que estamos abertos a discutir a possibilidade de ordenar homens casados” – afirmou, em entrevista ao jornal Nederlands Dagblad, o arcebispo de Malines-Bruxelas, Luc Terlinden, no regresso da sua participação no Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra (Anglicana).
O presidente da Conferência dos Bispos Belgas lembrou, na entrevista publicada no dia 15 de julho, a sua conversa com um bispo greco-católico (igreja Católica oriental) que lhe disse “90 por cento dos meus padres são casados” e concluiu: “No Ocidente, nem sempre demonstramos o devido respeito por essa tradição oriental, que também é católica.”
Instado a comentar o compromisso assumido publicamente, em março deste ano, pelo bispo de Antuérpia, Johan Bonny, de fazer todo o possível para ordenar homens casados durante o ano de 2028, Terlinden respondeu que na sua reflexão os bispos belgas “defenderam um certo grau de descentralização” e que “o compromisso do bispo de Antuérpia é uma iniciativa sua, embora, naturalmente, ele não possa ordenar padres casados sem a permissão do Papa”.
Esta questão da ordenação sacerdotal de homens casados não é nova no seio da Igreja Católica na Bélgica. Em abril deste ano, em entrevista à Agência France-Presse (AFP), o referido bispo de Antuérpia, Johan Bonny, disse: “Há homens casados que cumprem todos os requisitos que exigimos aos solteiros para se tornarem sacerdotes católicos. Tenho vários na minha diocese.”
Bonny garantiu, na mesma entrevista, que levará o tema à Assembleia Eclesial, convocada pelo Papa para 2028 na sequência das duas Assembleias-Gerais do Sínodo sobre a sinodalidade.
Sobre a organização e funcionamento do Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra, Luc Terlinden classificou-a como “semelhante a um parlamento” e, por isso, diferente da sinodalidade procurada pela Igreja Católica: “o Sínodo Geral funciona realmente como um parlamento. Isso faz parte da longa tradição inglesa. Há um presidente e um secretário. Ao seu lado, senta-se um especialista jurídico, usando uma daquelas perucas tradicionais…”.
O arcebispo de Malines-Bruxelas, valorizou, porém, outras formas de participação naquele Sínodo dos leigos e padres, que “desfrutam de grande liberdade”. “Podem, por exemplo, fazer perguntas – desta vez foram duzentas” e “os bispos e outras autoridades têm um minuto para responder”. “Isto, conclui Luc Terlinden, pode não parecer muito tempo, mas oferece a oportunidade de discutir praticamente tudo.”
Para este bispo, na Igreja Católica a sinodalidade é vista de forma diferente: “Estamos à procura de definir como é que a sinodalidade — a participação de todos os fiéis — se relaciona com a colegialidade dos bispos. Como bispo, estou convencido de que é preciso encontrar um equilíbrio entre esses dois aspetos.”










