Envolto em polémicas

Arcebispo de Paris põe lugar à disposição do Papa

| 26 Nov 2021

arcebispo paris michel aupetit foto FB michel aupetit

Michel Aupetit foi sucessivamente vigário-geral da diocese e bispo auxiliar de Paris, bispo de Nanterre de 2014 a 2017, e nesse ano regressou à capital como arcebispo. Foto reproduzida a partir da página de Facebook de Aupetit.

 

Ao fim de quatro anos incompletos à frente da diocese de Paris, o arcebispo Michel Aupetit acaba de colocar o lugar à disposição do Papa Francisco, na sequência de um clima de mal-estar na diocese, relacionado com os seus métodos de atuação e com rumores de ter mantido uma relação com uma mulher.

Sobre essa relação, o caso, revelado pela revista Le Point na última segunda-feira, 22, remonta a 2012, ao tempo em que Aupetit era vigário-geral da arquidiocese de Paris. A matéria constava de uma carta que Aupetit terá dirigido a uma mulher, em termos que não seriam próprios de um responsável eclesiástico. O teor do documento terá sido enviado inadvertidamente a uma sua secretária.

Comentando ao jornal La Croix o episódio, nesta sexta-feira, 26, o arcebispo assumiu a autoria da carta, mas disse que esse episódio, que setores da diocese consideram “ambíguo”, não remete nem para uma “relação amorosa” nem “uma relação sexual”.

Já quanto à forma como Michel Aupetit tem gerido a diocese de Paris, considerada por alguns como “autoritária”, são referidos casos como o processo que levou a encerrar a experiência pastoral inclusiva, de mais de quatro décadas (reabrindo-a uns meses depois com outra orientação) no centro de Saint-Merry, nos Halles-Beaubourg, em Paris. Esta medida originou polémicas vivas não apenas no interior da Igreja, mas também nos media do país e internacionais.

É ainda referido o modo abrupto e nunca devidamente explicado como dois vigários-gerais foram despedidos, em escassos meses, na primeira parte do corrente ano. E, finalmente, alude-se também ao modo considerado duro e rigorista como pôs em prática o Motu Proprio do Papa Francisco relativo à liturgia pré-conciliar, que lhe valeu uma oposição frontal dos católicos tradicionalistas.

Tudo conjugado, o clima na diocese não era o melhor. Na última semana, tudo se precipitou. Na segunda-feira, Le Point publicou o caso da correspondência; na quinta, o arcebispo escreveu ao Papa e nesta sexta o assunto eclodia na generalidade dos media, com o diário Le Figaro a divulgar a carta com o pedido de demissão, que deveria ter permanecido confidencial. “Fiz isso para preservar a diocese, porque, como bispo, devo estar ao serviço da unidade”, declarou ele ao jornal La Croix. Resta aguardar pela decisão de Francisco, depois de ouvir quem está mais próximo dos meandros deste problema.

Ao diário La Croix, o arcebispo afirmou que “a palavra renúncia” não tinha sido usada. Renúncia, acrescentou, significaria que estava a abandonar a missão que lhe tinha sido confiada. O que ele garantiu que fez foi colocá-la nas mãos do Papa, porque tinha sido ele a confiá-la. “Fiz isso para preservar a diocese, porque, como bispo, devo estar ao serviço da unidade”, explicou ele. “Não é por aquilo que deveria ter feito ou não no passado – senão teria estado ausente por muito tempo – mas para evitar divisões, se eu mesmo for fonte de divisões”. Ao mesmo tempo, indicou que tinha consultado o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos em Roma, e o núncio em Paris.

Michel Aupetit é, como costuma dizer-se, uma vocação tardia. Quando foi ordenado padre, aos 44 anos, já tinha uma significativa experiência profissional como médico. Depois dessa mudança de vida foi sucessivamente vigário-geral da diocese e bispo auxiliar de Paris, bispo de Nanterre de 2014 a 2017 e, desde esse ano, regressa à capital como arcebispo. Segundo os media franceses, a sua nomeação despertou algum entusiasmo, por se tratar de um clérigo “vivido”, oriundo de uma família humilde (o pai era ferroviário), de feitio franco e acessível.

Do ponto de vista das orientações pastorais, conciliava o apoio aos movimentos pró-vida com as preocupações sociais, nomeadamente com as populações migrantes. E não se coibia de dizer o que pensava, fosse a quem fosse. Quando viu o Presidente Macron lamentar os danos na catedral de Notre-Dame, no dia do grande incêndio, em meados de abril de 2019, chamou a atenção para os motivos da fundação da catedral e para o seu simbolismo religioso.

 

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