Igreja Católica

Assembleias continentais do Sínodo esta semana em Praga e Fiji

| 5 Fev 2023

Em Praga, a chegada de participantes para a assembleia sinodal de âmbito continental da Europa. Foto: Direitos reservados.

Em Praga, a chegada de participantes para a assembleia sinodal de âmbito continental da Europa. Foto: Direitos reservados.

 

Nas cidades de Praga (República Checa) e de Suva (ilhas Fiji), respetivamente, arrancaram este domingo, com uma celebração da Eucaristia, as assembleias sinodais de âmbito continental da Europa e da Oceânia, tendo por referência um documento que sintetizou a auscultação das bases da Igreja Católica, que decorreu nos primeiros meses do ano de 2022, intitulado “Alarga o espaço da tua tenda”.

Portugal está representado em Praga por uma delegação chefiada pelo bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal (CEP), que inclui, presencialmente, um padre e duas leigas e, à distância, outros membros da comissão sinodal criada pela CEP. Em Praga está igualmente presente, como convidada, a reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, na qualidade de presidente da Federação Internacional das Universidades Católicas.

A Assembleia Continental conta, em Praga, com 200 participantes, sendo 156 delegados das conferências episcopais da Europa (CEE) e 44 convidados diretamente pela Presidência da CEE, como representantes das “realidades eclesiais mais representativas”, a nível europeu. Haverá ainda um número que não andará longe dos 400 participantes dos diferentes países, que acompanharão os trabalhos por videoconferência.

Esta segunda fase, de âmbito continental, do Sínodo sobre a Sinodalidade, em torno dos três eixos da comunhão, participação e missão, pretende dar continuidade ao “processo sinodal de escuta, diálogo e discernimento”. Os trabalhos, que esta segunda-feira se iniciam, prolongando-se até quinta-feira, dia 9, andarão em torno de três questões, que o documento de referência já referido enuncia no seu ponto 106: que intuições ecoam nas experiências e realidades identificadas na primeira fase do processo sinodal?; que tensões, divergências, interrogações se destacam?; que temas recorrentes, prioridades e apelos à ação são de considerar.

Está previsto que, no último dia, os participantes se pronunciem sobre um documento de conclusões e recomendações. Nos dois dias seguintes, os bispos participantes irão fazer o seu próprio discernimento, com base no documento conclusivo.

Os trabalhos, que nesta segunda-feira têm início, arrancam com a escuta e reflexão sobre documentos elaborados pelas conferências episcopais, com base na auscultação do documento para a etapa continental. Só então vai ser conhecido o contributo português, já que a CEP entendeu não o dar a conhecer antecipadamente, ao contrário do que se passou noutros países, a começar pela Espanha. 

Em Portugal, a auscultação para esta segunda fase ter-se-á limitado a estruturas diocesanas como os conselhos diocesanos de pastoral. Apesar de se saber da existência de outros contributos, não houve grande divulgação da possibilidade de alargar a participação, até porque os prazos foram curtos.

Em Praga, as realidades eclesiais em presença fariam antever momentos de alguma tensão, dada a diversidade de perspetivas. Bastaria ter em conta a presença das mais significativas lideranças do chamado “caminho sinodal” da Alemanha e da posição fortemente crítica que, em fevereiro de 2022, a conferência episcopal polaca publicamente assumiu sobre o caminho do país vizinho. A dinâmica metodológica da assembleia e o próprio espírito sinodal querido pelo Papa Francisco permitem pensar que a assembleia continental possa ser também tempo de escuta e de esclarecimento mútuos.

Por alguma razão o secretário-geral do Sínodo, cardeal Mario Grech, dirigindo-se, no caso, à assembleia continental da Oceânia, mas considerando as várias assembleias que entre este mês e o próximo se realizam, difundiu uma mensagem [no vídeo abaixo] com este ‘programa’ comum aos participantes: “Não tenham medo de falar nem tenham medo de escutar e de se esforçar por acolher e entender o outro, e também não tenham medo de mudar de opinião com base no que ouvem. E, através dos outros, acima de tudo, ouçam o Espírito”.

 

Na Oceânia, a subida do nível do mar é problema também para a Igreja

No caso da Oceânia, que representa as igrejas australiana, neozelandesa, de Papua Nova Guiné/Salomão e de várias outras igrejas de arquipélagos do Pacífico, a Federação das conferências de bispos católicos da Oceânia (FCBCO) pôs em campo um grupo de discernimento e de escrita, constituído por 20 pessoas, que trabalhou, durante vários dias, em janeiro, sobre as apreciações realizadas em novembro e dezembro por cada uma das entidades que integram a Federação.

Assim, a Assembleia que está nestes dias reunida em Suva partirá já de um trabalho feito por esse grupo, o que de algo modo também explica que o tempo dedicado a esta assembleia continental seja mais curto do que acontece na Europa.

A questão da relação com os mares, do ponto de vista socioeconómico, mas também da mudança climática será um dos temas a abordar e uma especificidade que a FCBCO conta levar a Roma, em outubro, no Sínodo dos bispos.

O atual presidente da Federação, o arcebispo Peter Loy Chong, de Suva, citado pela Radio Veritas, das Filipinas, disse que os bispos da Oceânia devem abordar a realidade do aumento do nível do mar na sua região. “Se não o fizermos, ninguém mais o fará”, observou. “Falaremos sobre as pequenas nações insulares e o oceano Pacífico de forma que nós, que vivemos nas ilhas e vivemos no oceano, saibamos a importância do oceano e o seu significado em termos de todo o ecossistema da Terra”, acrescentou o arcebispo. Enquanto estiverem em Fiji, os bispos farão uma visita para avaliar os efeitos do aumento do nível do mar e da mineração extrativa nas nações insulares de baixa altitude.

 

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