O Patriarcado Latino de Jerusalém repudiou o atentado perpetrado contra a Igreja Ortodoxa Grega na localidade de Hammoud, na província jordana de Al-Karak, solidarizando-se com as famílias atingidas pela tragédia.
“Este crime provocou mortos e feridos, violando a sacralidade de um local de culto e atentando contra o direito humano fundamental à vida, à segurança e à liberdade de culto com dignidade”, denuncia a instituição católica, num comunicado divulgado no sábado, dia 24 de outubro.
O ataque perpetrado por homens armados deixou pelo menos nove mortos e mais de 30 feridos, informou à AFP o ministro da Saúde, Ibrahim Al Bdour.
Na nota em que condena este “ato terrorista cobarde nos termos mais veementes possíveis”, o Patriarcado Latino manifesta profunda tristeza pelo ataque impiedoso e apresenta condolências aos familiares das vítimas e aos habitantes de Hammoud. “Sublinhamos ainda que a coesão nacional do povo jordano serve como uma salvaguarda vital contra o terrorismo, o extremismo e quaisquer tentativas de semear a divisão ou a discórdia”, aponta o texto.
Para o Patriarcado Latino de Jerusalém, citado pela agência Ecclesia, os cidadãos do país, “tanto muçulmanos como cristãos, formam uma única família nacional, unida por uma história partilhada e um destino comum, ligada por laços de afeto, pertença e lealdade à sua terra e à sua liderança”.
A declaração expressa total apoio aos serviços de segurança na perseguição aos autores do crime que procuraram minar a paz social e apela à população para renovar o compromisso com a unidade nacional e a coexistência.
O texto manifesta igualmente orgulho no papel histórico desempenhado pela família real hachemita, liderada pelo rei Abdullah II e pelo príncipe herdeiro Al Hussein, na consolidação dos valores da moderação, da tolerância e da proteção dos ritos religiosos.
O comunicado abre com um versículo do Salmo 116 — “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus fiéis” — e encerra com orações pela rápida recuperação dos feridos e pelo descanso eterno dos “mártires”, pedindo que “o amor e a fraternidade permaneçam mais fortes do que o terrorismo e o ódio”.
Reunidos dentro e fora da igreja para um funeral
A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) indica que “cerca de 250 cristãos estavam reunidos dentro e fora da igreja para um funeral quando homens armados chegaram e começaram a disparar contra os fiéis”, citando testemunhos de sobreviventes.
Numa declaração enviada à AIS Internacional, o padre Rif’at Bader, um padre católico jordano, afirmou que este crime “afeta toda a sociedade”, falando numa tragédia que “causou dor, choque e incredulidade, tanto entre cristãos como entre muçulmanos”.
Os patriarcas e chefes das Igrejas em Jerusalém condenaram o ataque terrorista contra a Igreja Ortodoxa de São Jorge, afirmando que “atacar pessoas enlutadas em oração, numa casa de Deus, durante o enterro dos seus mortos, viola todos os valores sagrados e humanos”.
Em nota conjunta, os responsáveis convocaram todas as igrejas da região a tocar os sinos ao meio-dia deste sábado, em sinal de oração pelas vítimas deste atentado contra civis indefesos, que classificam como “uma grave ofensa contra Deus e contra a humanidade”.
A nota expressa condolências às famílias enlutadas e solidariedade fraterna ao patriarca greco-ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III, bem como ao bispado ortodoxo da Jordânia, cujas comunidades foram atingidas pela violência.
Os representantes das Igrejas sublinham que o crime visa toda a comunidade cristã do país e o tecido exemplar da sociedade jordana, onde muçulmanos e cristãos convivem em fraternidade há gerações, mas garantem que “tais atos não podem nem vão conseguir minar a unidade do povo da Jordânia”.










