Enquanto o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) prossegue as ações de detenção e deportação de pessoas que se encontram alegadamente em situação ilegal – e se avolumam os protestos contra a política migratória de Trump por todo o país – vários bispos católicos levantaram as suas vozes para lembrar que a maioria dos migrantes indocumentados “contribuem para o bem-estar das comunidades em que vivem e trabalham”.
Num comunicado divulgado esta terça-feira, 10 de junho, a Conferência Episcopal Mexicana expressa a sua “dor e preocupação” com “a difícil situação que surgiu” como resultado das operações de fiscalização. Reconhecendo que ninguém deseja a presença de criminosos, os bispos mexicanos sublinham que “é necessário distinguir que, embora alguns migrantes sem documentos cometam atos criminosos, nem todos os migrantes sem documentos são criminosos”. Na perspetiva dos bispos do México, essa distinção “permite superar a confusão que leva a erros, permite-nos ver a realidade com clareza e tomar decisões adequadas para o benefício de todos”.
No seu comunicado, os líderes religiosos defendem ainda que o fenómeno migratório não pode ser enfrentado com soluções isoladas, pois “requer múltiplas ações conjuntas; entre elas, um sistema de imigração que nos permita fazer as coisas bem sem ter que recorrer a outros meios que só acabam a complicar a vida de todos”. E manifestando a sua proximidade àqueles que sofrem devido à situação atual, os bispos pedem a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe para que “nos ajude a entender que somos todos irmãos e nos ajude a construir um mundo melhor juntos”.
O arcebispo José Gomez, de Los Angeles (onde os protestos têm sido particularmente intensos), convocou por seu lado um dia de oração pela paz e pela justiça e pediu a todas as paróquias da arquidiocese que celebrem missas por essa mesma intenção. Ao final da tarde desta quarta-feira, juntou-se às centenas de pessoas que acorreram ao Grand Park – um enorme parque verde no centro da cidade – para uma oração inter-religiosa.
À medida que as tensões aumentavam no passado fim de semana, Gomez, numa declaração, já havia pedido a todos “contenção e calma”, ao mesmo tempo que apelava ao Congresso para corrigir o sistema de imigração do país.
“Todos concordamos que não queremos imigrantes indocumentados, terroristas ou criminosos violentos conhecidos nas nossas comunidades. Mas não há necessidade de o governo implementar medidas de repressão que provoquem medo e ansiedade entre imigrantes comuns e trabalhadores e suas famílias”, escreveu. “Mais uma vez, peço ao Congresso que leve a sério a correção do nosso sistema de imigração falido, que leva tantas pessoas a tentar cruzar as nossas fronteiras ilegalmente. Outras nações têm uma política de imigração coerente que respeita os direitos naturais das pessoas de emigrar em busca de uma vida melhor e também garante o controlo das suas fronteiras. Os Estados Unidos também deveriam ter”, concluiu.










