Numa reflexão inspirada pela mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma, a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) desafia todos os católicos a passarem dos “pios lamentos” à prática concreta, num contexto marcado por dramas sociais e ambientais em território nacional e pelo agravamento da tensão bélica internacional.
A nota recorda em particular as vítimas das recentes catástrofes climáticas que assolaram várias regiões de Portugal, deixando muitos “sem telhado e sem sustento”, e insta a Igreja e a sociedade a uma “consciência que saiba discernir o circunstancial do essencial”.
Centrada no tríptico da mensagem de Leão XIV – “Escutar, Jejuar e Juntos” – a reflexão começa por questionar: “A escuta interpela-nos e tem consequências?”, e critica a tendência para limitar as respostas a “comentários acusatórios” sobre o clima ou o Estado. Definindo a escuta como um “rio de amor concreto”, a Comissão apela a uma atenção redobrada à “miséria escondida”, à exploração laboral, à violência e ao racismo.
Sobre o jejum, o texto procura afastar-se do formalismo vazio ou dos “hábitos culturais” superficiais. A proposta é a de um jejum que ajude a ordenar os afetos e que se traduza em vigilância social. Numa adaptação aos tempos modernos, o documento sugere que a abstinência se aplique aos “julgamentos fáceis” e às “palavras ofensivas despejadas nas redes sociais”. O objetivo, refere a nota, é evitar a postura de “novos fariseus” que ignoram a sorte do próximo.
Quanto ao terceiro pilar, “Juntos”, e reiterando uma profunda preocupação com os conflitos na Ucrânia, Myanmar, Moçambique e a escalada da guerra no Médio Oriente, a CNPJ é perentória: “Precisamos de um ‘nós’ capaz de vencer a guerra”.
O organismo da Igreja católica defende que a Quaresma deve ser vivida como uma “harmonia sinfónica” onde ninguém é excluído, transformando a fé em solidariedade prática que supere tanto as catástrofes naturais como a “escuridão bélica”. E termina com um apelo à renovação, sublinhando que esta Quaresma não deve ser uma repetição do passado, mas uma “oportunidade nova” para construir uma “aurora de paz e fraternidade”.










