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Papa Leão XIV celebra missa na wolkswagen arena, Turquia, 29 nov 2025. Foto Vatican Media
O Papa pede que se renuncie "às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente". Foto © Vatican Media

Mensagem de Leão XIV

“Comecemos por desarmar a linguagem”, pede o Papa nesta Quaresma

| 16/02/2026

Naquela que é a sua primeira Mensagem para a Quaresma, o Papa Leão XIV convida todos os fiéis a “uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada”: a abstinência de “palavras que atingem e ferem o nosso próximo”. Publicado na última sexta-feira, 13 de fevereiro, o texto desafia a um jejum não apenas de alimentos, mas “um jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro”.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias”, propõe o Papa. Em alternativa, Leão XIV sugere que um esforço por “aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza” nos mais diversos âmbitos da vida: “na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs”. E assegura que, desse modo, “muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz”.

Leão XIV propõe igualmente que, neste período de preparação para a Páscoa que se inicia na próxima quarta-feira, haja uma maior disponibilidade para escutar – quer a Palavra de Deus, quer o próximo –, pois esse “é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.

E realça a importância da “dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum”. “As nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento”, defende o Papa.

Porque “a conversão diz respeito não só à consciência do indivíduo, mas também ao estilo das relações, à qualidade do diálogo, à capacidade de se deixar interpelar pela realidade e de reconhecer o que realmente orienta o desejo, tanto nas nossas comunidades eclesiais como na humanidade sedenta de justiça e reconciliação”, conclui.

 

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