Tive o privilégio de conhecer Enzo Bianchi (1943-2026) e de conviver com ele durante um período decisivo dos meus primeiros anos como pastor, na Suíça francófona. A minha história com Bose começou muito antes de a comunidade por ele fundada se tornar aquele extraordinário lugar de encontro entre cristãos que viria a ser conhecido muito para além das fronteiras da Itália.
O meu itinerário pastoral levou-me à Igreja Reformada do cantão de Neuchâtel, onde, depois de me ter licenciado em Teologia na Universidade, fui nomeado pastor da paróquia de Fleurier, no Val-de-Travers, um vale do Jura suíço, junto à fronteira francesa.
Neuchâtel era então uma terra particularmente fecunda para o ecumenismo. A Faculdade de Teologia constituía um reputado centro de reflexão eclesiológica e ecuménica, e alguns dos seus professores, nomeadamente Jean-Louis Leuba e Jean-Jacques von Allmen, tinham colocado a questão da Igreja e da sua unidade no centro do trabalho teológico. Nas proximidades encontrava-se também a comunidade de monjas reformadas de Grandchamp, cuja experiência espiritual tinha sido uma referência importante para o irmão Roger Schütz, nos primeiros tempos de Taizé. A presença regular de grandes figuras do movimento ecuménico contribuía para criar um ambiente que hoje talvez seja difícil imaginar.
O ecumenismo não era ali apenas uma especialização de alguns teólogos nem o trabalho reservado às comissões oficiais das Igrejas. Fazia parte do ambiente espiritual em que vivíamos.
Foi neste contexto que, em 1972, Daniel Attinger, igualmente pastor da Igreja Reformada de Neuchâtel que conhecera Enzo Bianchi em Taizé e se juntara a ele, em 1968, no primeiro núcleo da comunidade de Bose, manifestou o desejo de regressar ao seu cantão de origem. Pretendia aí criar uma fraternidade numa região que considerava particularmente propícia a uma experiência de vida ecuménica.
Daniel foi nomeado pastor em Saint-Sulpice, paróquia vizinha da minha. Durante algum tempo juntaram-se-lhe alguns irmãos de Bose, entre os quais o jovem Guido Dotti, que mais tarde viria a ser vice-prior da comunidade, e o próprio Enzo Bianchi.
Não pretendo reconstruir conversas que tiveram lugar há mais de cinquenta anos, nem atribuir-lhe palavras cuja exatidão já não poderia garantir. Algumas impressões, porém, permaneceram extraordinariamente vivas. Enzo surpreendia-me pela profundidade e acuidade espiritual, pela extraordinária familiaridade com a Escritura e por uma personalidade forte, que dificilmente passava despercebida.
Ecumenismo, uma experiência concreta

Igreja de Saint-Sulpice: um lugar de encontro espiritual e ecuménico. Foto © Commune du Val-de-Travers.
Foi sobretudo com Daniel e Enzo que me iniciei mais seriamente na oração contemplativa e numa prática litúrgica de inspiração monástica. Para um jovem pastor reformado, formado numa tradição em que a Palavra ocupa naturalmente o centro da vida eclesial, mas onde se tinha perdido uma parte significativa da antiga tradição contemplativa da Igreja, tratava-se de uma descoberta considerável.
Rapidamente, a pequena igreja de Saint-Sulpice tornou-se um lugar de encontro espiritual e ecuménico. Ali se reuniam leigos, pastores e padres da região. Enzo e Daniel participavam nas nossas reuniões pastorais ecuménicas, na preparação das homilias e nos cursos de formação teológica e bíblica destinados aos leigos.
O ecumenismo deixava assim de ser apenas uma convicção teológica ou um objetivo confiado às instituições eclesiásticas. Tornava-se uma experiência concreta. Orávamos juntos, estudávamos juntos a Escritura, preparávamos juntos a pregação dominical e procurávamos servir as mesmas populações.
É talvez aí que reconheço hoje uma das grandes intuições que Enzo desenvolveria ao longo de toda a sua vida: a unidade dos cristãos não pode ficar exclusivamente dependente de acordos entre instituições eclesiásticas. Tem de começar também na experiência concreta de cristãos que aprendem a reconhecer-se, a acolher-se e a viver como irmãos.
A experiência pastoral ecuménica de Saint-Sulpice continuou a desenvolver-se, mas não chegou a transformar-se numa implantação permanente da fraternidade. Bose permaneceu o centro da comunidade nascente, e Enzo foi adquirindo cada vez mais a convicção de que era ali, no Piemonte, que a sua vocação e a da própria comunidade deveriam encontrar a sua forma duradoura.
Para compreender melhor aquilo que Daniel, Enzo e os outros irmãos trouxeram consigo para Saint-Sulpice, é preciso regressar por momentos às origens de Bose.
A aventura começara de forma quase improvável. Em 8 de dezembro de 1965, no momento em que terminava em Roma o Concílio Vaticano II, Enzo Bianchi instalou-se em Bose, então um lugar isolado do Piemonte [Noroeste de Itália, na fronteira com França e a Suíça], para aí viver uma experiência de solidão, oração e escuta do Evangelho.
Em outubro de 1968 juntaram-se-lhe os primeiros irmãos e irmãs, católicos e protestantes, entre os quais o pastor Daniel Attinger. Nascia assim uma experiência que, naquele tempo, tinha algo de verdadeiramente novo: homens e mulheres provenientes de diferentes Igrejas procuravam viver juntos uma mesma vocação comunitária e monástica.
A Escritura, a oração litúrgica, o silêncio, o trabalho, o celibato, a hospitalidade e a vida fraterna foram-se tornando os pilares de Bose. O ecumenismo não foi uma preocupação acrescentada posteriormente à vida da comunidade. Pertencia à sua própria origem.
Uma paixão irradiante

A comunidade em oração: a prática da lectio e a submissão da Igreja ao juízo do Evangelho são características de Bose. Foto: Direitos reservados.
A paixão de Enzo Bianchi pela unidade dos cristãos era autêntica e irradiante. Talvez por isso nós, protestantes, tivéssemos por vezes a tentação de reconhecer nele algo de particularmente próximo da nossa própria tradição, sem percebermos sempre até que ponto o seu ecumenismo permanecia enraizado numa identidade católica firme.
Enzo não era um cristão pós-confessional, como se as diferenças entre as Igrejas tivessem perdido importância. A sua abertura ecuménica não resultava de uma relativização das pertenças confessionais. Permanecia solidamente ligado à Igreja Católica Romana e era a partir dessa pertença que procurava ir ao encontro dos cristãos das outras tradições.
É justamente nesta tensão fecunda entre uma identidade católica afirmada e uma abertura ecuménica excecional que reside, a meu ver, um dos aspetos mais interessantes da sua personalidade.
A primazia que concedia à Bíblia, a prática frequente da lectio divina, a importância atribuída aos leigos, a crítica do clericalismo e a necessidade de submeter constantemente a vida da Igreja ao juízo do Evangelho podiam levar-nos, a nós protestantes, a reconhecer nele sensibilidades que nos eram familiares. Por vezes, chegávamos mesmo a perguntar-nos se não estaríamos perante uma espécie de “protestantização” do catolicismo. Mas essa leitura dizia talvez tanto sobre o nosso próprio olhar como sobre Enzo. Aquilo que nos parecia próximo do protestantismo nascia, nele, de uma procura de renovação profundamente inscrita no interior da tradição católica.
A prática eucarística de Bose exprimia bem esta tensão. Não havia concelebração entre ministros católicos e protestantes. Se a memória não me trai, nos primeiros tempos, a eucaristia podia ser presidida por um irmão sacerdote católico ou por um pastor protestante, e os participantes eram acolhidos à mesa eucarística com grande generosidade.
Com o passar do tempo, porém, essa liberdade foi-se tornando mais comedida: Bose era uma comunidade católica, embora composta por homens e mulheres de diferentes tradições cristãs e marcada por uma vivência ecuménica, e havia a preocupação de permanecer em plena comunhão com a Igreja local e em conformidade com a disciplina da diocese.
Para alguns de nós permanecia uma interrogação: por que razão uma comunidade capaz de tanta audácia na aproximação entre cristãos se mostrava tão cuidadosa precisamente no domínio eucarístico, onde a fraternidade entre as Igrejas encontrava talvez o seu sinal mais forte e, ao mesmo tempo, o seu limite mais doloroso?
Mas talvez fosse justamente essa uma das características mais marcantes de Bose: levar a fraternidade entre os cristãos tão longe quanto parecia possível, sem romper a comunhão com a Igreja à qual pertencia.
Das esculturas à cozinha, prioridade à beleza

Bruno Martinazzi, Ícaro, mármore de Carrara, Mosteiro de Bose. Foto: Direitos reservados.
Com o passar dos anos, Bose cresceu e tornou-se muito mais do que a pequena comunidade que tínhamos conhecido. Passou a ocupar um lugar significativo na redescoberta de uma leitura interconfessional da Bíblia e na promoção do diálogo entre as Igrejas, através de encontros e colóquios teológicos que reuniam cristãos de diferentes tradições.
Voltei a Bose, sempre com enorme prazer, para retiros espirituais e encontros teológicos. Numa dessas visitas fui acompanhado por um grande amigo, o jornalista Silas Oliveira, que entrevistou várias testemunhas dos primeiros tempos da comunidade. Também ele ficou impressionado pela beleza do lugar, pelo cuidado da liturgia, pela qualidade da hospitalidade e pelo extraordinário sentido estético que marcava a vida de Bose.
Essa atenção à beleza não era um elemento secundário. As esculturas de Bruno Martinazzi, discretamente integradas nos jardins e nos espaços da comunidade, contribuíam para uma harmonia que se percebia em todo o conjunto. Enzo apreciava bastante a pintura e a escultura e parecia considerar a beleza não como um simples ornamento da vida espiritual, mas como uma das suas linguagens.
Esse sentido da beleza estendia-se também às coisas mais simples e quotidianas. Enzo, por exemplo, cozinhava maravilhosamente.
Daniel Attinger contou-me que, quando ambos se encontraram em Taizé, Enzo, pouco seduzido pela banalidade da comida que ali lhes era servida, lhe terá dito que, em Bose, as coisas seriam diferentes. A anedota pode parecer menor, mas é reveladora.
Havia em Enzo um lado quase epicuriano que não contradizia de modo algum o contemplativo. A mesa, o vinho, a comida preparada com cuidado, a beleza de um objeto ou de uma paisagem não eram concorrentes da vida espiritual. Faziam parte de uma maneira agradecida e plenamente humana de habitar o mundo. [ver 7MARGENS]
Também por isso Bose se tornou um lugar onde a hospitalidade nunca foi entendida apenas como acolhimento formal. Mesmo na simplicidade própria de uma comunidade monástica, procurava-se receber bem, alojar com cuidado e alimentar com gosto e qualidade. Era, de algum modo, outra expressão da atenção à beleza que atravessava a vida da comunidade.
Outra dimensão importante da espiritualidade de Enzo foi a sua profunda abertura ao cristianismo oriental. A relação de Bose com a Ortodoxia tornou-se uma das marcas mais significativas da comunidade. A partir de 1993, os encontros internacionais de espiritualidade ortodoxa reuniram regularmente monges, bispos, patriarcas e teólogos das Igrejas orientais e ocidentais. Bose tornou-se assim um daqueles raros lugares onde a Ortodoxia não era simplesmente observada do exterior, mas escutada a partir da sua própria tradição espiritual.
Uma personalidade muito forte

Enzo Bianchi: um carisma não isento de ambiguidades, que tornou dolorosos os últimos anos de Bose. Foto: Trento, 12 de Dezembro de 2013. © Caranti | Wikimedia Commons
A influência de Enzo ultrapassou, porém, os meios ecuménicos e eclesiásticos. Através dos seus livros, conferências, retiros e comentários bíblicos, soube falar da fé cristã a um público muito mais vasto. Possuía uma qualidade rara: sabia falar de Deus numa sociedade secularizada sem começar por a condenar. [ver 7MARGENS]
Falava da vida e da amizade, da mesa, da solidão, da doença, do envelhecimento, do amor e da morte. Partia dessas experiências humanas fundamentais para mostrar como a Escritura podia iluminá-las e revelar nelas uma profundidade muitas vezes escondida.
Seria errado, porém, transformar esta memória num retrato hagiográfico.
Enzo tinha uma personalidade muito forte, verdadeiramente carismática. Essa força permitiu-lhe fundar, reunir, entusiasmar e dar uma orientação muito própria à comunidade. Mas os carismas não estão isentos de ambiguidades, sobretudo quando chega o momento de transmitir responsabilidades e abrir espaço a uma nova liderança.
Foi isso que tornou tão dolorosos os últimos anos de Bose.
Depois de Enzo deixar, em 2017, a função de prior que exercera desde a fundação, surgiram tensões profundas em torno da autoridade, do governo da comunidade e da sucessão. Uma visita apostólica decidida pela Santa Sé conduziu, em 2020, ao seu afastamento de Bose. Passaria depois a viver longe da comunidade, ligado à fraternidade da Casa della Madia.
Soube destas dissensões com profunda tristeza. Não disponho dos elementos necessários para julgar responsabilidades, nem creio que esta homenagem seja o lugar para o fazer. Houve divergências, feridas e sofrimento. Seria desonesto ocultá-los; seria igualmente injusto permitir que obscurecessem uma vida inteira dedicada à procura da fraternidade cristã.
Há, porém, um paradoxo que não posso deixar de recordar.
Enzo, católico firme, via com dificuldade aquilo que considerava uma das fragilidades históricas do protestantismo: a tendência para a fragmentação das Igrejas em consequência de divergências de interpretação, conflitos de autoridade e, por vezes, da forte personalidade dos seus líderes.
Ora, foi precisamente uma crise ligada à autoridade, à sucessão e ao peso da personalidade do fundador que acabou por ferir gravemente Bose.
Seria absurdo concluir que a comunidade reproduziu simplesmente os cismas do protestantismo. Não foi isso que aconteceu. Mas o paradoxo recorda-nos uma verdade que talvez todos os ecumenistas devêssemos reconhecer com maior humildade: nenhuma tradição cristã está imunizada contra a divisão.
Divisões reais

Mosteiro de Bose. Foto © Gian Marco / Comunità di Bose.
Os protestantes conhecem a fragmentação denominacional; a Ortodoxia, dolorosos conflitos de jurisdição; o catolicismo, apesar da sua poderosa estrutura de unidade institucional, conhece também confrontos, exclusões e ruturas de comunhão.
A unidade dos cristãos não poderá, portanto, nascer da suposta superioridade dos nossos sistemas eclesiásticos. A questão é mais profunda.
Antes de sermos católicos, reformados, luteranos, anglicanos ou ortodoxos, pertencemos a Cristo. Mas pertencemos-lhe com toda a fragilidade da nossa humanidade: com os nossos limites, as nossas feridas, as nossas disputas de poder, as nossas dificuldades em escutar, em ceder lugar e em reconhecer plenamente o outro.
As divisões entre as Igrejas são reais, e algumas dizem respeito a questões teológicas importantes que não podem ser simplesmente ignoradas. Mas elas são também atravessadas por essa fragilidade humana que nenhuma tradição cristã consegue eliminar inteiramente.
E, no entanto, essas divisões não anulam uma fraternidade que as precede e que não fomos nós que inventámos. Recebemo-la do mesmo Evangelho e do mesmo batismo.
Talvez a contribuição mais profunda de Enzo Bianchi para o ecumenismo contemporâneo esteja também nesta tensão entre a grandeza da sua intuição e as fragilidades que marcaram a sua própria história.
Enzo mostrou que é possível criar espaços onde cristãos de tradições diferentes rezam, leem juntos a Escritura, trabalham, estudam, partilham a mesa e procuram em comum a vontade de Deus. Mas a sua própria trajetória recorda-nos também que nenhuma intuição espiritual, por mais generosa que seja, nos liberta das contradições da nossa humanidade.
Queremos a fraternidade, mas nem sempre sabemos vivê-la. Defendemos a comunhão e podemos feri-la. Falamos de serviço e continuamos vulneráveis ao poder, ao medo de perder lugar, à dificuldade de escutar ou de transmitir responsabilidades. As incoerências de Enzo não eram, nesse sentido, apenas as suas. São também, em graus diferentes, as nossas.
Para mim, esta convicção não é apenas uma ideia. Tem o rosto de uma recordação muito concreta…
No início dos anos 1970, naquela pequena igreja de Saint-Sulpice, no fundo de um vale do Jura suíço, padres e pastores, rodeados e encorajados por um número significativo de leigos, reuniam-se regularmente para rezar, estudar a Bíblia e preparar juntos a pregação. Participávamos também nos ofícios da fraternidade de Bose.
Éramos movidos por um verdadeiro entusiasmo pela busca da unidade dos cristãos, mas não deixávamos de trazer connosco aquilo que pertence à nossa comum humanidade: os nossos orgulhos, as nossas fragilidades, as nossas diferenças de temperamento e as nossas incoerências. Entre nós, estavam Daniel Attinger e Enzo Bianchi.
Uma fraternidade mais profunda

Presbitério de Saint-Sulpice: “Guardar a imagem de um jovem irmão italiano, sentado connosco diante de uma Bíblia aberta, procurando que a Palavra criasse um espaço de fraternidade. Foto: Direitos reservados.
Na altura, não pensávamos estar a participar em nenhum acontecimento importante da história do ecumenismo. Fazíamos apenas aquilo que nos parecia natural: abríamos juntos a Escritura, rezávamos, discutíamos, por vezes discordávamos, e procurávamos servir as nossas comunidades cristãs.
Nenhum de nós tinha resolvido as questões que, desde há séculos, separam as nossas Igrejas. Talvez tivéssemos, porém, começado a aprender algo mais elementar e, afinal, mais difícil: que era possível reconhecer-nos como irmãos sem fingir que as nossas diferenças tinham desaparecido.
Mais de cinquenta anos depois, compreendo melhor o que havia de essencial naquela experiência. As Igrejas não estavam unidas. Continuam a não estar. E vivemos hoje um tempo em que o caminho ecuménico parece, para muitos, ter perdido o impulso e a esperança que então o animavam.
Talvez seja justamente nestes períodos de cansaço que importa recordar que a divisão institucional nunca conseguiu apagar inteiramente uma fraternidade mais profunda. Essa fraternidade não nasce das nossas estratégias nem depende apenas dos acordos que conseguimos alcançar. Precede-nos e continua a chamar-nos, mesmo quando as instituições hesitam, os entusiasmos arrefecem e as nossas próprias incoerências parecem desmenti-la.
Enzo fez dessa procura uma das grandes paixões da sua vida. Não a viveu sem contradições, e nenhum de nós o consegue, mas Bose tornou-se, durante décadas, um lugar onde muitos cristãos puderam experimentar algo dessa fraternidade.
Agora que Enzo morreu, não me ocorre perguntar em primeiro lugar o que restará da sua obra ou como serão julgadas as suas escolhas. Prefiro guardar a imagem daquele jovem irmão italiano que conheci em Saint-Sulpice, sentado connosco diante de uma Bíblia aberta, procurando connosco deixar que a Palavra criasse, entre cristãos ainda separados, um espaço de fraternidade que as nossas Igrejas ainda não sabiam plenamente habitar.
Joel Lourenço Pinto é pastor da Igreja Presbiteriana de Portugal e da Igreja Reformada Suíça.










